Mostrando postagens com marcador Solidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Solidão. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de outubro de 2024

Eu te amo-ei.

"Eu te amei" é a frase que todos os dias eu quero te dizer.
A diferença disso... dessa informação? Nula.
Mas todos os dias, na minha cabeça, eu crio coragem para te dizer "eu te amei".

Talvez a frase esteja no passado, porque acabo buscando alguma auto-preservação tosca e enganosa. Talvez porque sobre o passado eu tenha certeza. Enquanto que sobre o presente ou o futuro, eu desconheça sua completude e exatidão. 
É confuso.

"Eu te amei"... no passado da frase "eu te amo", que é o que eu gostaria de te dizer todos os dias, desde o dia que eu disse pela primeira vez. 
Porque ali, naquele momento, eu tinha certeza que eu te amava. Eu tinha a certeza que eu me perderia pra sempre no seu olhar.

"Eu te amo" é o que eu queria te dizer, também nos dias que eu "não te amasse". 
Também nos dias que a gente discutisse, que a gente se chateasse. 
Mas que mutuamente nos lembrássemos que "eu te amo" e que aquilo passaria.

Na realidade, não passou. 
E (em alguns sentidos) eu não posso mais dizer que "eu te amo".

"Eu te amo"…
também é a frase que eu gostaria de ouvir de você,
todos os dias.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

La verdad

La verdad és que me gustaria que nunca se hubiera acabado. Que estuviéramos juntos. Que pudiera verte a cualquier hora y cualquier momento.

La otra verdad és que me gustaria no haberte conocido. Así yo no iba a saber qué és el sufrimiento. Yo no tendría que agarrarme a la história que yo inventé para vivir sin ti.

La tercera y la última verdad és que ¡me gustaria muchísimo no haber conocido el amor!

domingo, 16 de agosto de 2020

Ainda

É que você não sabe, mas a gente ainda dorme junto. A gente ainda passeia pelas ruas da cidade. Você ainda ensaboa meu corpo, enquanto eu passo xampu na sua cabeça.

Talvez você não saiba, mas eu... Eu ainda sinto a sua falta.

Talvez eu não saiba, mas talvez eu ainda te ame.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Despedida sem cor

E na fumaça do trem, escrevi o nome do meu amor.
Porque era mais fácil agarrar às letras que compõem os sons da minha saudade do que lembrar da imagem de uma despedida sem cor.
E aqui, no mesmo lugar onde você me deixou, observo a fumaça cinza se desfazendo pelo céu azul e levando seu nome para longe.
Rogo para que um dia a minha saudade cinza também se desfaça em azul.
Para que um dia consiga colorir de novo, esse céu chuvoso de tristeza em meu coração.
Para que a saudade seja somente uma palavra, que se perde no tempo, na cor, no peito e na estação. Doendo a partida, mas sem doer a dor da perda.

ps: Em parceria com Dime. Para mais, procure no Instagram @dimecitou

domingo, 22 de dezembro de 2019

Simplesmente, assim

Ouça, enquanto lê.

Querido diário,

Hoje, sonhei com ele.
Ah, como foi bom.
Eu me sentia bem inseguro ainda. Agia com dedo para não feri-lo, não machucá-lo. Não afastá-lo de mim.
Mas estava tão gostoso.
Eu não podia deixar de sorrir.
Com meus olhos, minha boca, meu corpo, eu sorria.
Sorria até com a alma.

Ele estava junto comigo.
Eu deitei sobre seu peito.
Em outro momento, deitamos de lado, abraçados.
Minha mão agarrando o peito dele.

Era tudo o que eu queria.

Mas, no fim, eu acordei.
Eu juro que rezei pra dormir de novo e voltar para o mesmo sonho.
Não deu.

De novo, eu me vejo sem ele.

E foi isso.
De maneira bem direta.
Um desabafo superficial, que carrega sentimentos bem profundos.
Sem meus devaneios, delirios.
Sem jogo de palavras.
Sem todas aquelas sentimentalidades ou ênfases poéticas que eu gosto de escrever.
Assim. Simplesmente, assim.

E é como diz a música:
"Te tenho em sonhos. E somente eu sei  o quanto eu esperei. Vem me tirar dessa prisão de somente te ter se eu sonhar outra vez."

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Léxico

Ouça, enquanto lê...

Uma vez, eu li uma frase que dizia "a língua portuguesa tem 435.000 palavras. E com nenhuma delas, eu consegui te fazer ficar". 
Me doeu, o coração, quando li. As palavras que sempre mexeram comigo e que sempre pensei serem minhas amigas, não foram suficientes pra te fazer ficar. E posso dizer que tentei até pegar algumas emprestadas de outras línguas. Apesar de estarmos falando de palavras, sei que lutei muito, sei que agi muito. Provavelmente, errei muito. 
Me peguei pensando que talvez eu devesse até ter inventado uma ou duas palavras novas e quem sabe, assim, você não iria embora. 
Mas, agora, no fim, acredito que isso não te faria ficar. Apenas serviria pra eu dizer que de 435.001 palavras, nenhuma delas te fez ficar. Ou 435.002 ou 3, ou quantas palavras mais eu tivesse inventado. 
Fica? 
Eu passo um café pra nós dois. 
Eu te faço um cafuné.
Você gostava tanto de mim. Não consigo acreditar que tudo se foi mesmo. Será que não sobrou um pouquinho de sentimento aí no seu coração? 
No meu, sobrou um buquê inteiro de sentimentos, pintados com o mesmo amarelo das rosas que te dei. 
Mas a cada dia, parece que me cai um caco novo, ao chão. 
E em quantos cacos devo partir meu coração até ter você de volta? Qual parte de mim te afastou assim? Te arremessou pra longe? Foi meu café muito doce? Ou o gosto da bala em minha boca, quando te beijei? Algum dos meus cacos te furou? 
Fica.
Volta!
Me ajuda a colar tudo. E fazer bater novamente, o coração que um dia eu te dei.

terça-feira, 7 de maio de 2019

O vazio da lembrança

Ouça enquanto lê.

E meus olhos resistem. Não querem se fechar, não permitem que eu durma, enquanto não te tenho ao meu lado. Fico com meus pensamentos rondando por onde passamos e aonde chegamos. Revivendo memórias incríveis, momentos tão felizes, tão importantes, tão puros. Sinto meu corpo estremecer. Meu corpo sente a falta do seu. Meu ouvido busca a sua voz. E minha esperança te espera no portão, todos os dias. Meu sorriso se ensaia em frente ao espelho antes de sair de casa, para a hora que você chegar. Tento dizer a eles que não é hora ainda. Mas nem eu mesmo acredito nas minhas palavras. No fim, eu mesmo os encorajo a buscarem sua voz, te esperarem no portão ou se ensaiarem em frente ao espelho. Eu mesmo escolho a roupa que vestirão, os lembro de pôr um casaco e de pegar um guarda-chuva.

Mas me preparo em vão, todos os dias. E o que me agoniza e me conforta são mesmo os pensamentos e as memórias que me cercam. São eles que me fazem companhia (que meus travesseiros não me ouçam). Abraço-os – os pensamentos e os travesseiros – na esperança de te encontrar, procurando seu cheiro. Gosto de brincar que é nas suas pernas que estou dando nó. Ou que é no seu peito que estou deitando a minha cabeça. Chego até a acariciar um deles, pensando que poderia te fazer um cafuné.

Rezo todas as noites (ou a toda hora) por um momento melhor. Onde eu não seja velho, mas ainda seja jovem, com toda vontade de viver. E assim possa viver junto com você. Oro pela nossa felicidade. Que não sejamos cordeiros em época de caça. Mas que sejamos estrelas altas, lindas, brilhantes, que iluminam a escuridão. Que sejamos como as araras, a voar em pares. Que meus ouvidos encontrem a sua voz. Que seus olhos encontrem o meu sorriso. Que minha esperança te encontre no portão. E que meu corpo esbarre no seu.

Por fim, durante a minha oração, meus olhos que não aguentam mais, se desabam. Interrompem qualquer busca por você. Afastam todos os pensamentos e memórias lindas. E me deixam o vazio da lembrança, sem cheiro, sem cor, sem sorriso. Debulham-se. Minhas forças psíquicas, físicas e emocionais se esgotam. E antes mesmo que eu termine a minha oração e bem antes que eu te encontre, de tanto escorrerem, meus olhos, finalmente se fecham, e eu durmo.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Entre um coração e um cérebro


São um coração e um cérebro que não se comunicam. Um vagueia sem saber por onde e outro pulsa sem saber por quê. Não se pensa no que se sente e não se sente o que se pensa. Isso porque não se comunicam.
Vai batendo assim, doído, apertadinho, afogando o peito, deixando o corpo inerte, jogado em qualquer lugar que passe uma brisa, passem nuvens em formato de elefante, girafa, vinho tinto e rosas vermelhas.
E imaginar tudo isso em nuvens não é um trabalho muito difícil, considerando que não há nada concreto para se pensar. Nem mesmo nada tão concreto quanto o mais abstrato dos sentimentos – o amor, que posso dizer que tenho.
E isso tudo porque não se comunicam.
“Se me dissesse por quê bate assim, saberia te dizer racionalmente ‘não vá por esse caminho.’ É isso que eu faço, mesmo.”
“Mas se me dissesse amorosamente acerca de tudo que está acontecendo ao seu redor, eu saberia bater por motivos mais importantes, com mais força. E sentiria melhor os elefantes, as girafas, as rosas vermelhas e o vinho tinto que você enxerga nas nuvens.”
Caso se comunicassem, eu poderia (talvez) levantar meu corpo e achar nas nuvens, elefantes que sejam coloridos, girafas sem pescoço, vinho branco seco e rosas amarelas – você já sentiu o cheiro das rosas amarelas?
Mas assim seria em apenas uma condição. Se se comunicassem.

Então vou me mantendo aqui, perdido no meu quarto, sentindo uma brisa, vendo o tempo passar, aguardando um diálogo abstrato e racional entre um coração e um cérebro que não conversam, que vagueiam sem saber por onde e pulsam sem saber porquê.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Essa coreografia

Feche os olhos e deixe a cabeça voar.
Como se o céu fosse seu chão,
e você pudesse pisá-lo.
Rodopie ao som da sua música favorita,.
Seja brisa,
seja o próprio ar que te dá impulso.

Suspire,
Arranhe os céus.
Pule de nuvem em nuvem se quiser,
ou apenas rodopie sobre os próprios pés.

Abra seus braços
e feche-os.
Acaricie o nada.
Afinal, o carinho é pra você.

Toque seu rosto,
seus braços,
o chão
e o ar.

Não pense,
apenas sinta,
apenas seja essa coreografia,
da sua música favorita.

Mexa seus pés como precisar,
é tudo possível.
Está tudo ao seu alcance.

Mas pra mim não é possível,
Mas não está ao meu alcance.
Meus braços se fecham,
Não consigo tocar o chão, porque ele não existe.
Não toco meus braços, porque não suporto.
E quando encontro meu rosto, é molhado.

Não sinto carinho,
e o nem o "nada" está ali.
Se me rodopio, entonteço.
Se me ponho de pé, eu caio.
Se dou um passo da minha coreografia, tropeço.

O céu é inalcançável,
e o ar que sou, me falta,
e eu, então, acabo suspirando em falso.

Fecho os olhos, mas minha cabeça não voa.
Afinal, é pesada e não se distrai,
E, por fim,
eu penso e só existo.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Te passando em plantão

E se eu pegasse sua mão e te puxasse pra sei lá onde? Faria diferença eu dizer que comecei a sorrir depois que você chegou? Você pegaria na minha mão se soubesse disso?
Por que não vem, você puxar a minha mão e me levar pra não sei onde? Eu juro que não precisa sorrir quando me vir. Você só precisa vir e eu vou saber que eu fui a sua escolha.
Ser a escolha de alguém é o clímax de qualquer vida. Eu só queria ser a sua enquanto você é minha.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quem pode dizer?

Ouça enquanto lê.

Eu só queria dizer que amei.
Mas que amor foi esse que se começou e se acabou em meio as palavras?
Como aconteceu  de a preocupação se tornar um desejo incessante, uma carência tamanha que necessite dessa atenção toda que só você acredita?
Queria mesmo a sua atenção, de forma mais especial, mais espontânea. Da forma como costumava ser. Não pedi nada além do que já existia em você, em nós.
Mas quando o amor vira monólogo, de uma via só, em sentido único e passa por um mar de ilusões que o deturpam e chega ao fim da ponte como cão sem dono morto de fome, ele deixa de ser amor e vira Roma.
E na praça do centro dessa cidade vou, bêbado, tentar entender a lógica dessa história que começou com gosto de canela se preparou pra ser melancia e no fim amargou "qui nem jiló" (uma saudade que quase dói).
Mas se da primeira vez era canela, fico em Roma até que a torne em amor de novo ou até que o amor mude seu significado e eu, enfim, ache um amor com gosto de melancia perdido em meio as palavras e possa finalmente dizer que amei.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Fim de passeio

Ouça enquanto lê

Era como se subíssimos as árvores folhosas, só pra descer em suas folhas verdes.
Subindo pelo seu tronco, desde a raiz, escolhendo as melhores ranhuras, até encontrar o galho mais alto, do qual teríamos coragem de nos jogarmos.
Lá, bastava escolher a folha. Era só subir em cima e dar uma chacoalhada.
A folha se desprenderia...

E viria planando, pegando aquela corrente de ar, aquela brisa.
Os nossos rostos, ora iluminado pelos raios de sol de  um dia lindo, ora escuros pelas sombras das outras folhas, se encheriam de felicidade.
E, segurando na folha, vamos até o chão... Fim de passeio.
Sem problemas, afinal, é uma árvore folhosa.
Basta voltarmos à raiz e subir de novo.

Mas o outono chegou.
Todas as folhas já estão amarelas,
ou vermelhas,
mas no chão.
E se subirmos, não temos como descer.

Te chamei. Você não veio.
Eu subi sozinho e só tem um jeito de descer:
Sozinho.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O lobo

Ouça enquanto lê...

E de noite, antes de dormir
rezava, eu, pra que viesse.
Pedia fervorosamente
que te tivesse em meus sonhos.

Se não fosse atendido,
não havia mal.
Seria apenas mais uma noite desperdiçada,
uma noite em vão.

Mas se fosse,
ah, se fosse...
era como colocar os pés na nuvem
e ser levado pro alto.

Era como sentir o mundo em minhas mãos.
Como se eu pudesse sentar sobre ele
e rodar pela via-láctea
até ficar tonto e cair de volta em minha cama.

Subia num dragão,
voava até as estrelas,
e vinha descendo planando,
sentindo a brisa do mar que bate na minha janela.

A sua visita,
ainda que causada por mim,
era como aquele beijo gelado
numa chuva fria de um verão quente.

Era como se eu soubesse que estava vivo.
Como se pudesse viver aquilo todos os dias.
Como se no dia seguinte eu pudesse te ligar e te contar
e te contar.

Há muito você não me visitava.
Há muito eu vivi por mim mesmo.
Sem subir em nuvens, dragões,
alcançar estrelas, sem mesmo a brisa na janela.

Nem mesmo um beijo gelado,
nem chuva fria,
até o meu verão...
até o meu verão...

Então você surgiu.
E a nuvem choveu, o dragão me cuspiu fogo,
as estrelas se apagaram,
e eu chorei sobre o leite derramado.

A chuva que caía daquela nuvem...
ácida.
A brisa que batia na janela...
vendaval.

Minha cama...
em brasas.
E meu verão...
que verão?

Me fez lobo solitário,
a uivar de raiva quando acordei.
A morder minha pata
pra fugir das armadilhas.

Asco, Miséria.
Ódio, Rancor.
Meu acróstico imperfeito
pra quem acabou com meu verão.

Pra quem fez de mim, lobo
e matou meu dragão.
Pra quem inundou a cidade
e me deixa tonto.

Me fez tonto.
Me fez bobo.
Me fez amar.
Me fez lobo.

E de noite, antes de dormir,
rezava, eu, pra que não viesse.
Mas que por favor, ouvisse,
por favor, me ouvisse.

Ouvisse o meu uivar de lobo solitário
pr'aquela lua que ainda me resta.
E se não ouvisse...
seria só mais uma noite em vão.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Linger on

Ouça enquanto lê...

Como se tivesse existido algo,
De novo a sós comigo mesmo
pensando no pretérito
imaginando o futuro do pretérito
vivendo sozinho meu presente.

Como companhia, a minha bebida,
a minha música.
O meu ser
e eu mesmo,
me bastando.

Você resolveu sair,
e eu nem entendi bem por quê.
Eu sei que me deixou sozinho
à deriva das coisas que me disse
ou das que esqueceu de me dizer.

Se te basta virar as costas,
vire-as pois.
Respirarei novamente,
sentirei novamente.
Me bastarei.

"Saúde" ao alto.
Chocolate e menta,
meu preferido.
Pode partir
que eu deixo.

Está livre,
vá.
Mas só te peço
que não me tire minha bebida
nem minha música.

Que o mundo acabe,
que ele se exploda
que você o exploda
ou se exploda nele.
Que seja.

Mas tudo que tenho agora,
não me tire.
Já me basta brindar sozinho,
deleitar-me sozinho.
Sonhar sozinho.

Já não há mais o que me roubar
se já foi felicidade
se já foi paixão
se já foi sonho
se já foi embora.

Mas, mais uma vez te peço
que o mundo acabe
mas que ainda tenha
minha bebida
e minha canção.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Você de mim

Ouça, enquanto lê!

Às vezes eu queria um botão, daqueles liga/desliga, pra desligar tudo isso. Desligar você de mim. Desligar o que você é, desligar o que significa. Desligar o que já aconteceu. Enfim, desligar você de mim.

Mas toda vez me pego afundando, chegando ao fundo do poço, procurando meu orgulho (devo tê-lo deixado em algum lugar)! E aí, cansado de procurar, começo a perguntar se alguém viu. E pergunto sempre pra você. Quando me responde, diz que não viu. E quando não me responde, afundo-me mais à procura de mim. Um dia, como costumava ser, eu volto pra superfície. Compro um novo orgulho e vivo a minha vida, respirando outra vez qualquer ar que não compartilhemos.

Então você chega, o sol aparece, o arco-íris aparece, meus medos, inseguranças, felicidades aparecem. Meu amor próprio some, você desaparece.

Esqueça, criança. Pode voltar.

Não há nada em meu coração, é só o hábito de correr atrás. Logo acaba tudo isso de novo.

Esqueça, criança. Pode voltar.

Tudo já não passa de uma brincadeira, a qual eu não quero mais brincar. Não vou voltar a me afundar. Se um dia quiser me encontrar, estarei na superfície. Se por acaso roubar de novo meu bem adquirido, que se explodam (os dois!), pois estarei vendendo milhares de orgulhos pra todos os idiotas que ficam dias e dias em seus escafandros à procura de seus amores próprios.

Isso é o que eu digo a você e aos outros. Mas nos conhecemos bem demais pra saber que não existe um daqueles botões liga/desliga pra desligar você de mim.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mais que difícil


Tanto quis dizer que não falei.
Clichê, eu sei. Mas diz o suficiente, por mim.

Existem algumas palavras que ficaram impressas aqui dentro de mim e outras que se explicitaram.
Mesmo vomitando tudo aquilo que eu precisava, ainda não vale a pena vomitar tudo. Não vale a pena vomitar todas as palavras.
Elas sairiam de minha boca; se distorceriam no ar, pelo caminho e; cairiam como pedra em seu estômago frágil. E aí, então, eu te teria longe de mim, de novo.
Longe...
Bem longe...
E o quê poderia, eu, fazer pra que você voltasse? De joelhos, sem roupas, aos prantos, aos sorrisos, com as mais lindas roupas, apenas me pedindo pra que possa ficar.
É claro que pode. É claro que essa é minha resposta. Não consigo te ter longe por vontade própria. Não consigo te olhar nos olhos e dizer "se afaste". Às vezes digo que quero isso, pra mim mesmo. Que seria melhor, mas não. Eu não quero. Não há como enganar. Não há a quem enganar.

E nem mesmo importa quanto tempo passe. Eu estou sempre olhando no meu celular em sua procura. Seu número. Sua foto. Sempre olhando. Sempre "só checando". Sempre. Porque pode ser que um dia a saudade bata aí. E, não, nunca vai ser tarde demais. Você vai tocar a campainha, eu vou atender com um sorriso, perguntar onde esteve e dizer que sumiu.
Me dói. Me corrói. Me consome. Me faz pensar. Me leva pra uma outra dimensão que ninguém me encontra e, então, as pessoas tem sempre que ficar me chamando de volta à Terra, "Ei... Estou falando com você".

Eu queria mentir e dizer que nada disso é pra você. Mas isso é mais que difícil. Pois se algum dia você me ler, vai entender que é pra você! Mas, diante disso tudo, vai se calar. E esse silêncio... Ah... É uma morte lenta e dolorosa a cada dia, é um martírio, que passa...

E isso só me faz te observar de longe. Também quieto. Querer saber de seus passos, se eram acompanhados por outrem ou não. Se eram descalços. Se eram por mim, o que nunca seriam, mas quem sabe? Quem sabe também o que está escrito? Talvez isso morra aqui. Talvez seja pra sempre assim. Mais que díficil, mas assim.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ele por ela

Ontem à noite, eu já estava deitada quando ele me ligou.
Meus olhos se arregalaram,
meu coração palpitou.
Eu não sabia se atendia ou se apenas deixava o telefone tocar.

Não resisti,
conversamos um pouco, a ligação tava ruim.
Tão ruim que caiu, sem volta.

Pelo menos eu ouvi a voz dele.
Aquela voz que me esfria a alma, dói a barriga
e me enche de alegria.
Soube como ele está e isso bastou.

Me senti mais calma,
mais segura,
mais feliz.

Pude dormir tranquila.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Isso também dói.

Não sei se é pior a saudade ou ter quase certeza que não tenho tanta importância como tem pra mim. E eu acho que essa dor da dúvida é a que machuca mais.
Porque se eu soubesse o meu significado, saberia também meu lugar. Saberia quando ligar, quando esperar, quando chorar e quando sorrir. Saberia se é um simples agrado, um acaso do destino, ou se tem todo significado e todo sentido me sentir assim.
Aliás, nem mesmo eu sei o que sinto. E isso também dói. Agita, faz descrer, consome.

E a dor da dúvida é a que mais dói

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Por inteiro

Ouça enquanto lê!


Sinto como se tivesse me dado a todo mundo!
Um pedaço de mim pra cada um. Uma palavra, um abraço, um riso, um sorriso!
E, assim, todo mundo me tem. Eu, por inteiro.

Deixo meu sorvete de lado por você. Desligo minha música quando quiser falar.
Eu fico mais cinco minutos, pra quê te deixar se eu posso ficar?

Mas e eu? Eu te tenho?
E você? Você se dá? A mim, provavelmente, não.
Talvez a outro e isso só te afasta de mim.

Eu só quero o que os poetas chamam de amizade.
O que as princesas chamam de amor verdadeiro.
E aquelas coisas bonitinhas que colocam espalhadas por aí.

Eu só queria você, aqui do meu lado, de alguma forma, algum jeito!

Gostaria de ver um sorriso, ouvir uma palavra, aquele riso gostoso.
Sentir seus braços em volta de mim!

Era tudo que eu podia pedir:
Você ou alguém por inteiro.

E eu tenho?

Eu te tenho?


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vazio

Ouça enquanto lê...


É estranho como nos sentimos sozinhos.
Existem tantas pessoas no mundo, tanta gente falando com a gente e parece não ser suficiente.

Continuamos procurando por uma pessoa que nos preencha. Que saiba exatamente do que estamos falando ou que, pelo menos, realmente deseja saber. Que tenta entender and stuff.
Procuramos por pessoas que nos possam fazer rir e que podemos chorar. Procuramos por pessoas que não nos abandonem. Que sempre vem - não importa quando, onde ou como - perguntar como você está. E, sabe o quê mais? Pergunta por perguntar. Porque sabe que isso é importante.

Não sei quantas vezes fui preenchido por todos os amores. Quantas vezes entupi cada veia minha com a presença deles todos, de uma forma ou de outra. E posso garantir que aprovetei cada vez.
Mas também já estou perdendo as contas de quantos minutos estão passando e eu estou vendo todos indo embora e se esquecendo que eu estou sempre aqui. Quantos segundos passaram desde quando disseram tchau pela última vez até o momento que me chamaram pra perguntar como estou. Assim, só por perguntar.

Vazio. Quando não estamos entupidos de amor, é vazio. Vazio em cada veia, em cada artéria, átrio, espaço-porta e todas essas coisas que existem no corpo e que podem ser preenchidas por amor ou ficar vazias.

Quantos entendem a sua linguagem? Quantos querem falar com você? Quantos querem sua presença?
E se você vai lá, só dar aquela checada, será que eles fazem um favor pra você por te responder? Ou será que eles estão percebendo o que realmente está acontecendo?

Talvez todas essas perguntas tem respostas com sentido negativo. Afinal, se eles fossem tão espertos quanto você pensa ou até mesmo tão amigos, você não sentiria vazio corpo adentro.

Talvez o mundo inteiro esteja vazio. Preenchido apenas por você.
Ou talvez esteja, mesmo, totalmente vazio!