Mostrando postagens com marcador Comprida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comprida. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de abril de 2022

Feito de mim

E eu me perdi. 
Por tantas e inúmeras e incontáveis vezes, eu me perdi. 
Fui deixado, menino, às margens de mim mesmo. Sem saber se podia me adentrar, aprofundar-me em mim.
Molhei meus pés sem saber se lavava as mãos. Molhei as mãos sem poder lavar o rosto. 
O rosto sujo, cujo reflexo busquei na superfície desse rio que sou. E não encontrei.

Pronto para desaguar-me ao mar. Mas não fui. Não me deixei ir. Não me deixei ser.
Parado ali, na desculpa estapafúrdia do "nada", me torturei. Nada sei, nada sinto. Tenho nada. Sou nada.

Encontrei-me refletido e eu tinha a cara limpa. Pudemos conversar.
E ensinei-me. Na dor, mas ensinei-me. Vivi minha ditadura, camuflada em felicidade constante. Turbilhonando-me sentimentos, vozes, pensamentos, ensinamentos, vaos e inválidos. Invalidados.
O nada.
E na dor de ensinar-me e de aprender-me, fui. Quando todos já eram.
Pude ser. Quando deixei-me ser.

E hoje, sendo, sento à margem de mim, e vejo meu rio cursar, curveando por onde quer ir. Molho meus pés, nas minhas águas. E os tornozelos. As pernas. Mergulho-me. Afundo-me. Adentro-me e aprofundo-me. 
Que delícia ser. Enquanto percebo que os outros ainda nem são. Ainda buscam ser.
Que delícia já não camuflar-me mais em felicidade constante, mas preencher meus nadas com ela.
Ocupar-me comigo mesmo. Em observar-me, em ensinar-me com amor, em cursar meu rio e deixar-me desaguar no mar que também sou eu. Porque e feito de mim. Águas novas e águas passadas. Eu.

E agora, posso sentar-me à minha baía e observar o sol a nascer, as nuvens a passar, os pássaros a cantar. Posso chorar ou sorrir, cantar ou dançar, observando que o amanhã sempre vem. E há sempre uma nova oportunidade de encontrar-me. Por tantas e inúmeras e incontáveis vezes, encontrar-me. Sentado, menino, às margens de mim. Apenas sendo.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

A minha rua

Me apoiei sobre o parapeito, como aquelas namoradeiras da vila. Cruzei os braços e joguei meu peso sobre eles, sentindo a brisa que batia. Olhei para um lado e para o outro, como se aquele fosse um olhar de despedida, como se meu olhar dissesse “vou sentir falta disso” e tentei observar todos os detalhes que via. Reparei no cachorro que andava virando latas, recebendo um carinho daqui e um safanão dali. Ouvi passarinhos cantando em sinfonia com a brisa, pousados sobre os fios elétricos.

De repente, vi um menino andando, brincava com seu irmão, na inocência da infância. Eles revezavam uma bicicleta e, claro, seu irmão mais velho andava por mais tempo que ele. Ele se emburrava, mas tornava a montar e andar, respeitando seu tempo. Até que foi a hora de se irem.

Enquanto acompanhava os meninos indo para um lado, vinha de lá um adolescente. Andava meio cabisbaixo, com fones de ouvido. Estava só. Cantava o que ouvia, como se ninguém reparasse. Mas eu reparei. Foi andando até que parou no meio da via e tocou uma campainha. Atendeu-lhe, uma menina de sua idade. Andaram e passearam e dividiram seu fone. E cantaram e dançaram juntos. E riram. E já não era cabisbaixo, mas ainda adolescente. Ela precisou entrar e ele seguiu andando a rua, pisando pensativo cada paralelepípedo. Até que encontrou um monte de outros garotos. Parecia querer fazer parte, mas não ser. Esses adolescentes. Quanta informação recebem, vãs e intensas ao mesmo tempo.

Perdi o menino de vista, quando ele se esbarrou em um jovem que saltitava, com um par de rosas na mão. Parecia ter encontrado o amor da sua vida. E foi saltitando, com aquelas rosas, por toda a rua. Dançou com o poste, fez carinho no vira lata, assobiou para os passarinhos e dançou tango com uma senhora que tropeçou em sua alegria. Deu-lhe um beijo na testa, entregou uma de suas rosas e seguiu saltitando. Sempre saltitando. Só pude sorrir, ao vê-lo.

Mais uma vez, ouvi o latido do meu companheiro e percebi que quase fora atropelado por um jovem adulto que passava, de terno, andando a passos largos, como se não prestasse atenção no cenário tão rico em que estava inserido. E em menos de um minuto, cruzou a rua inteira.

Estava perplexo ainda, quando resolvi absorver mais detalhes da via. E então percebi um outro rapaz, sentado ao meio fio, bem de frente a minha janela, chorando copiosamente. Tinha uma rosa despedaçada à mão. Era ele, o bailarino de tango. Recebia agora umas lambidas de amor. Tendo visto a rosa ao chão, sem vida, amassada, pretejada, a bailarina sentou-se ao seu lado, fez-lhe um carinho e tirou-lhe para dançar um romance e tomar um café e oferecer-lhe uma rosa. E foram, os dois, de braços dados, para o café da esquina.

Ao entrar, os dois tomaram esbarrões daquele moço que anda correndo, sem pensar em nada. Não vimos de onde veio. E não conseguimos acompanhar para onde ia. Apenas passou.

Passou como o tempo. E eu aqui, na janela. Quando dei por mim, já era anoitecer e percebi que aquela bicicleta dos meninos estava jogada no chão, beirando a calçada. E as crianças, de volta à rua, brincavam com um senhor. Tinha os cabelos brancos e ria ao jogá-los para cima. Eu não podia ouvi-los muito bem, mas tinha som de amor, cor de amor, sorriso de amor, sabor de amor, cheiro de amor. Marejei meus olhos, nessa imagem sinestésica de amor.

E a rua foi se esvaziando. O café fechou e o moço já conseguia sorrir. Recebeu um telefonema e foi andando, olhando para cima, procurando algum pássaro para assobiar, enquanto andava. A bailarina, se juntou ao senhor e partiram, os quatro de mãos dadas, intercalando as idades. O grupo de adolescentes se dispersava. Cada um para sua casa. E, quando sozinhos, mudavam suas feições e o sorriso desaparecia. Esses adolescentes. Tanta mutação repentina.

Entrei para meu jantar. E percebi que meus cotovelos doíam. Antes de deitar-me, fui fechar as janelas, pois já esfriava. Dei mais uma espiadela para a rua de minha casa. Vi lá no fundo, aquele moço desatento, passeando. Vinha com seu paletó aberto, incapaz de prestar atenção em uma coisinha sequer, mas percebendo tudo que havia a seu redor. Abraçado em algum outro jovem, também bêbado. Cantavam em voz alta, faziam carinho no cachorro, dançavam um tango trôpego com a alegria, assobiavam para os pássaros que já dormiam, viravam as latas culposa e embriagadamente, abriam os braços para sentir a brisa que batia. Afinal, nunca seria tarde para curtir a minha rua.

Decidi deixar as janelas abertas. Os meus olhos passearam pela rua, uma última vez. E eu repeti para mim: “vou sentir falta disso”.

terça-feira, 7 de maio de 2019

O vazio da lembrança

Ouça enquanto lê.

E meus olhos resistem. Não querem se fechar, não permitem que eu durma, enquanto não te tenho ao meu lado. Fico com meus pensamentos rondando por onde passamos e aonde chegamos. Revivendo memórias incríveis, momentos tão felizes, tão importantes, tão puros. Sinto meu corpo estremecer. Meu corpo sente a falta do seu. Meu ouvido busca a sua voz. E minha esperança te espera no portão, todos os dias. Meu sorriso se ensaia em frente ao espelho antes de sair de casa, para a hora que você chegar. Tento dizer a eles que não é hora ainda. Mas nem eu mesmo acredito nas minhas palavras. No fim, eu mesmo os encorajo a buscarem sua voz, te esperarem no portão ou se ensaiarem em frente ao espelho. Eu mesmo escolho a roupa que vestirão, os lembro de pôr um casaco e de pegar um guarda-chuva.

Mas me preparo em vão, todos os dias. E o que me agoniza e me conforta são mesmo os pensamentos e as memórias que me cercam. São eles que me fazem companhia (que meus travesseiros não me ouçam). Abraço-os – os pensamentos e os travesseiros – na esperança de te encontrar, procurando seu cheiro. Gosto de brincar que é nas suas pernas que estou dando nó. Ou que é no seu peito que estou deitando a minha cabeça. Chego até a acariciar um deles, pensando que poderia te fazer um cafuné.

Rezo todas as noites (ou a toda hora) por um momento melhor. Onde eu não seja velho, mas ainda seja jovem, com toda vontade de viver. E assim possa viver junto com você. Oro pela nossa felicidade. Que não sejamos cordeiros em época de caça. Mas que sejamos estrelas altas, lindas, brilhantes, que iluminam a escuridão. Que sejamos como as araras, a voar em pares. Que meus ouvidos encontrem a sua voz. Que seus olhos encontrem o meu sorriso. Que minha esperança te encontre no portão. E que meu corpo esbarre no seu.

Por fim, durante a minha oração, meus olhos que não aguentam mais, se desabam. Interrompem qualquer busca por você. Afastam todos os pensamentos e memórias lindas. E me deixam o vazio da lembrança, sem cheiro, sem cor, sem sorriso. Debulham-se. Minhas forças psíquicas, físicas e emocionais se esgotam. E antes mesmo que eu termine a minha oração e bem antes que eu te encontre, de tanto escorrerem, meus olhos, finalmente se fecham, e eu durmo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A história da pobre velha


Como a rosa que brota da terra e se abre ao sol, à chuva.
Brota do ventre, a pianista e encanta os pássaros e os grilos.
Usando suas mãos de uma maneira que ninguém precisou ensinar.
E foi conquistando seu espaço e mostrando seu amor.

O amor que vem de dentro, passa pelos braços, e se reflete a cada vez que seu dedo bate a tecla do piano, seu grande amor.
Sempre o acompanhando, desde o dia que se encontraram.
Nos momentos mais difíceis, nos mais tristes, nos mais felizes.
Nos momentos que não eram momentos, que eram ordinários.

Quando as lágrimas rolavam, por paixões sofridas,
por sorrisos falsos de malfeitores,
por conquistas limpas. 
Sempre juntos.

Decidida, declarou seu amor, a pianista, ao seu companheiro, o piano.
E dele, pra sempre foi, como pra sempre fora. 
Era ele que ouvia sobre seu dia, mesmo.
Era ele que conhecia o que havia dentro dela, de qualquer forma.

Por que não?

Por vários anos, a pianista se escondeu atrás de seu amante.
Uma vez que a liberdade lhe havia sido tirada, 
por aqueles que se julgam melhores e governam o país,
e querem governar o mundo.

Após a guerra, 
estavam juntos de novo, 
e se amavam, como nunca antes.
Venceram essa batalha.

Mais tarde, alguns anos depois,
enfrentou um tumor cerebral.
E durante todo seu tratamento, 
internada num hospital anti-musical.

Dizia todos os dias pra si,
"estou indo, meu amor".
E de lá saiu, ao encontro daquele que sempre a preencheu.
E foi ele, quem ela viu primeiro, depois de tanto tempo.

E viu por algum tempo,
até que sua visão ficasse comprometida.
A pianista não podia desistir agora.
E pensou:

"Eu preciso, apenas das mãos
e do coração.
Enquanto eu tiver, mãos e coração,
o meu amor, eu não deixo."

E aprendeu a não precisar ver seu amor pra saber onde eles estava.
E ela descobriu que ele ainda era capaz de entendê-la
e percebê-la
e decifrá-la.

E prometeu a seu marido,
"mesmo na escuridão,
eu te encontrarei."
Bom, não foi permanente, e eles se viram novamente.

Vencedora de uma guerra, 
vencedora de uma doença,
lanterna na escuridão,
vendedora de sonhos.

Fez de tudo pra estar sempre com seu amor.
Até que...
... coitada, idosa.
Há quantos anos vive mesmo?

Acredito que nem ela saiba...
porque a cabeça já não funciona.
Já não sabe muitas coisas mais,
mas conhece, ainda seu amor.

Infelizmente, as mãos começaram a não obedecer,
doíam quando paradas,
doíam quando mexiam.
"Reumatismo", disse o doutor.

Insistiu a pobre velha.
Mas não dava mais.

Deixou uma rosa vermelha 
sobre o cadáver quente de seu amor.
Alisou-o,
chorando as patacovas que já não tinha mais.

Entendeu que era seu fim,
e que nada mais podia fazer pra tê-lo de volta.
Era sua hora.
Assim...

Naquele dia, choveu.
Se vestiu de preto.
Tocou sua última canção,
e se despediu.

E junto à rosa vermelha,
deixou a carta que alguém datilografara.
Dizia:
"Muito obrigada, meu grande, primeiro e verdadeiro amor."

Fechou o caixão
e o enterrou.
O piano, nunca mais tocou.
Ficou só, a pianista.

E no seu epitáfio, escrito:
"Se partires amanhã, me ama hoje.
Se partes hoje, obrigada pelo ontem.
Se partiste..."

E ficou só, a pianista.
E o piano... nunca mais tocou.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O lobo

Ouça enquanto lê...

E de noite, antes de dormir
rezava, eu, pra que viesse.
Pedia fervorosamente
que te tivesse em meus sonhos.

Se não fosse atendido,
não havia mal.
Seria apenas mais uma noite desperdiçada,
uma noite em vão.

Mas se fosse,
ah, se fosse...
era como colocar os pés na nuvem
e ser levado pro alto.

Era como sentir o mundo em minhas mãos.
Como se eu pudesse sentar sobre ele
e rodar pela via-láctea
até ficar tonto e cair de volta em minha cama.

Subia num dragão,
voava até as estrelas,
e vinha descendo planando,
sentindo a brisa do mar que bate na minha janela.

A sua visita,
ainda que causada por mim,
era como aquele beijo gelado
numa chuva fria de um verão quente.

Era como se eu soubesse que estava vivo.
Como se pudesse viver aquilo todos os dias.
Como se no dia seguinte eu pudesse te ligar e te contar
e te contar.

Há muito você não me visitava.
Há muito eu vivi por mim mesmo.
Sem subir em nuvens, dragões,
alcançar estrelas, sem mesmo a brisa na janela.

Nem mesmo um beijo gelado,
nem chuva fria,
até o meu verão...
até o meu verão...

Então você surgiu.
E a nuvem choveu, o dragão me cuspiu fogo,
as estrelas se apagaram,
e eu chorei sobre o leite derramado.

A chuva que caía daquela nuvem...
ácida.
A brisa que batia na janela...
vendaval.

Minha cama...
em brasas.
E meu verão...
que verão?

Me fez lobo solitário,
a uivar de raiva quando acordei.
A morder minha pata
pra fugir das armadilhas.

Asco, Miséria.
Ódio, Rancor.
Meu acróstico imperfeito
pra quem acabou com meu verão.

Pra quem fez de mim, lobo
e matou meu dragão.
Pra quem inundou a cidade
e me deixa tonto.

Me fez tonto.
Me fez bobo.
Me fez amar.
Me fez lobo.

E de noite, antes de dormir,
rezava, eu, pra que não viesse.
Mas que por favor, ouvisse,
por favor, me ouvisse.

Ouvisse o meu uivar de lobo solitário
pr'aquela lua que ainda me resta.
E se não ouvisse...
seria só mais uma noite em vão.

domingo, 30 de setembro de 2012

Pensamento solto

Ouça enquanto lê...

É pecado morrer numa janela durante a noite enquanto a sua música toca?
É pecado pedir um pouco de paz, ausência, silêncio, beleza, amor? Pedir clareza, certeza, inteligência, menos oportunidades de uma vez? Decisão?
Vale a pena sofrer, quando o que te faz sofrer sofre junto com você? Ou é melhor que se sofra sozinho?
Aliás, isso é sofrer de verdade? Porque pessoas que realmente passam fome até a morte, que passam sede, paleativos, abandonados, sofrem. Já que não existe outro nome pra esses sentimentos um tanto quanto passageiros que batem no peito e saem pela boca, pelos olhos, pela mão, acho que ainda é sofrer.
E se eu disser que é pecado sim, você morrer na sua janela com sua música, uma vez que você deseja isso e definha até conseguir? Pelo menos vai ter a sua ausência, o silêncio. Vai estar tudo decidido, será certo. E não haverá nenhuma oportunidade que esteja em sua decisão, como eu disse, já estará tudo decidido.
A sua música vai tocar e você não vai ouvir.

O complicado é que não compete tanto a nós. É o que sentimos. Não se controla, não se pede pra sentir. O sentimento vem, você querendo ou não. Você pode tentar controlá-lo. Mas ele vai continuar existindo. A angústia vai bater toda vez que seu filho sair de casa, mesmo que ele diga que "está tudo bem, mãe. Vou ter juízo!". A saudade vai bater toda vez que suas férias acabarem e você tiver que dizer "tchau, minha irmã. Daqui a um ano eu volto para nos vermos." A solidão vai sempre bater quando você ligar pro seu melhor amigo e chamá-lo pra um chopp ou pra ficar com você dentro de casa porque o dia está nublado, sua vida está nublada e ele nem atender o telefone porque está viajando com a esposa. Você não vai odiar seu chefe ou as leis trabalhistas por te impedirem de ver sua irmã, nem o seu melhor amigo por ter se casado e, muito menos, o seu filho porque ele saiu de casa. Você vai sentir isso tudo. Mas você escolhe se seu filho sai ou não, se liga pro seu amigo ou não, se volta a trabalhar ou não.

E aí? Você vai morrer todas as vezes que se sentir angustiado, solitário ou com saudade? Pode até morrer, desde que ao final da música ou quando a chuva parar de bater a janela, você volte. Assim, você consegue a inteligência que tanto pedia. Deixando-se sentir o que seu corpo produziu, mas sem deixar que tome total conta de você. Talvez você encontre a beleza de um arco-íris, se esperar um pouquinhozinho depois da chuva.

Mas ainda lhe faltam clareza e amor e também as oportunidades não-extremistas.
Ora, você tem a oportunidade de ir pra janela. A oportunidade de definhar. De ajudar os que passam fome, sede, os paleativos e os abandonados, embora você esteja sofrendo. Só perceber que eles sofrem mais e seu sofrimento se esconde de vergonha. Vai ficar claro pra você que você não é nada. É só o menino que sofre sozinho sentado na janela, olhando pro nada e de cabeça vazia.

Quanto ao amor. Amor é natural. Deixe que ele te ache. Quando te achar, não voltes mais para aquele lugar que eu já esqueci o nome.
A menos que seja um dia ensolarado. Porque se for, você pode ficar lá esperando ele passar e descer correndo a tempo de chamá-lo para uma xícara de chá no jardim, antes que comece a chover.
Mas enquanto chove, só espere que ele te ache!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Mucama

"Mova-te, pois, Mucama.
Não escutas o que tua ama te diz?
O que fazes parada aqui?"

Saiu, a mucama, desolada.
Pois mandaram-na buscá-lo.
O filho de seu senhor,
aquele que criara o hábito de se apaixonar por uma negrinha.

Pensava e matutava,
a pobre Mucama.
Como poderia haver,
sobre a mesma terra que ela pisava,
tal homem, tão desumano?

O amor lhe tira os olhos.
O amor lhe entrega ao fogo, às cegas.
O amor lhe faz proteger outrem,
arriscando a própria vida.

Descobrira, então, seu próximo passo.
Avisou o senhorzinho:
"Fuja fio, qui é pru sinhô, seu pai, num te matá!
Fuja, e leva tua formosura com vossemecê!"

Havia, portanto, coração mais nobre
dentro do senhorzinho que no senhor!
"Mas e tu, Mucama?
Como farás tu? quando ele souber.
Avisara-me, sem que me levasse a ele!"

"Sou véia, sei mi cuidá!
Vai, sinhozinho, antes que o capitão do mato o mate"
Saiu a galope, com sua formosura, o senhorzinho.

O senhor soube de tudo.
Seu filho já não existia,
pois outrora se apaixonara por uma negrinha.
E por ajudá-lo foi condenada, a Mucama.
Que protegeu o filho de sua ama.

Fizera o papel que a nobre mulher não teve coragem.
A Mucama, na simplicidade que tinha,
exercera, com coragem e bravura,
amor e compaixão,
o papel de mãe,
tornando-se assim, a verdadeira nobre mulher.
Mãe de um menino que ela vira nascer.

Por tal feito, foi condenada às chibatadas.
Soltava lágrimas pelo pelourinho,
sangrava pelo chão, onde fora parida.

E poderia haver até milhões.
Cansaria, o carrasco, mas não doeria na Mucama.
Pois tinha a certeza, havia feito a coisa certa.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Permita-se!

E chegou o dia tão esperado. Fui visitá-lo em sua cidade.
A desculpa que dei aos meus pais é que estava a ponto de surtar. Precisava sair, conhecer um lugar novo. Que éramos só amigos.
Ele havia feito o convite, para eu visitá-lo. E, por ventura, seus pais haviam viajado!

O dia chegou. Eu estava lá. Nos divertimos durante o dia. Eu o olhava de uma forma diferente daquela que costumava olhar... E tinha quase certeza, que seu olhar era recíproco.

Passamos o dia inteiro com os amigos dele, nos divertindo, brincando, sendo felizes. E, ao fim do dia, fomos para sua casa para podermos continuar a felicidade que fora o dia. Fizemos aquele jantar especial, bebemos aquelas bebidas especias e trocamos as famosas indiretas especiais.

Até que todo mundo foi embora. E ficamos só eu e ele.
Fiquei sentado no sofá, enquanto ele despedia do povo que estava à porta. Após ter terminado de se despedir, sentou-se ao meu lado. Meu coração pulava e eu quase conseguia ouvir o seu também. Se eu poderia ouvi-lo, poderia, ele, ouvir o meu?
Então ele se aproximou. Beijou a trave. Fechei os olhos. "Por favor, um pico de sensatez. Por favor, um pico de sensatez." Não sei ao certo quanto tempo durou, mas foi longo, muito longo. Tão longo quanto o último minuto de uma aula.
Coloquei minha mão em sua face, como quando se segura o rosto de alguém para acertar-lhe um beijo. Olhei em seus olhos. Torci minha boca em tristeza. Fechei meus dedos em sua barba e afastei seu rosto do meu. Não consegui dizer uma palavra. Apenas olhava e reprovava. E ele tentava entender.

Saí do sofá, nos arrumamos para dormir. Muito gentil que era, preparou pra mim sua cama e deitou-se em um colchão no mesmo quarto. Terminei de me arrumar e entrei no quarto. E lá estava ele, deitado de barriga pra cima, um pouco inclinado, olhos semi-cerrados e seu braço direito por trás da cabeça. Ali deitei. Em seu peito descoberto. Afinal, só seus pedaços mais íntimos não estavam descobertos.

Se antes eu ouvia seu coração, agora podia senti-lo. "Ai, meu Deus. O que estou fazendo aqui?", pensava.
Até que o silêncio foi quebrado, por uma voz que não queria sair e que não era a minha.

"Eu pensei que você quisesse. Que estivesse afim."
"Um dia eu estive, e tive que confirmar que eu seria mais forte!"

Seu peito estava molhado. Mas ele não suava.

"Você não tá querendo ser mais forte. Você está sendo covarde! Vai conseguir passar os dias pensando no gosto do meu beijo?"

Fui obrigado a levantar. Já senti tudo que queria ali. Era hora de dormir.

"Aposto que tem gosto de baba. Eu arranjo outros. Alias, prefiro a dor da saudade do que a da desilusão."
"Permita-se!"
"Eu jamais me permitirei sofrer!"

Levantei e fui pra cama! Afinal, já passava da hora de dormir.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O menino esquisito

Existia um menino. Ele até que era esquisito, por isso apenas exisitia. Um dia cansou de apenas existir, mas era assim que sabia viver. Ninguém na escola lhe dava bola. Ninguém o escolhia para os times. Ninguém vinha lhe dizer bom dia. Quando muito o retribuíam tal dizeres. Ele via aquelas garotas, todas populares, com milhões de pessoas ao seu redor, fazendo convites e mais convites para festas, para saídas. E aqueles meninos, que todas as garotas comentavam, que todas queriam. E ele, não tinha ninguém. Ninguém o queria. Ninguém o chamava pra sair, ninguém aceitava seu convite. Os comentários das garotas eram: "Olha, amiga, aquele menino esquisito." E foi isso que eu disse a vocês no começo. Era isso o que ele era. Esquisito.

Pois bem, esse menino deixou de ser um menino. Passou a ser um moço. Virou um homem, um homem jovem. Mas não adiantava, continuava sendo o menino esquisito. Tentava se enturmar. Usava as gírias normais, sabia falar sobre tudo. Até que ele não era feio. Mas alguém, em sua infância, determinou que ele era esquisito. E não havia meios de fazê-lo normal!

Um dia, tal menino, que morava com seus avós, se trancou em seu quarto. Mas não havia reza que o fizesse sair. Ele nunca, nem tinha fechado a porta. E decidiu, nesse dia, trancá-la. Sem entender, sua pequena vózinha batia a porta e o chamava. E o menino ouvia: "Esquisito, você está bem?"; "Você não está com fome, quisitim? Há tanto tempo que não come..."

E assim, passaram algumas horas. A mãe do menino ficou sabendo do ocorrido. E ele nem quis sair pra atendê-la ao telefone. Até que seus pais saíram de sua casa, para ir até o menino. Para tentar fazê-lo sair.

Mas que menino esquisito, quem entra num quarto e se tranca e não sai por nada? E, sabem o que era pior? O menino nem respondia.

Sua mãe o implorou e ele ouviu: "Filho esquisito, sai daí! Vem comer alguma coisa, ver o sol.", "O que está acontecendo? Hm? Conta pra mamãe"! Mas nada, o menino invocou em não falar. O pai desse infeliz dizia a sua mulher: "Vamos arrombar a porta. Esse menino não pode ficar aí dentro pra sempre!" Mas a mãe disse: "Sinto muito, amor. Ele já é menino-homem. Sabe o que faz. E se assim decidiu, assim está decidido."

Enfim, passaram alguns dias. O óbito era certo. Não havia meios dele estar vivo. A não ser que fosse tão esquisito ao ponto de suportar dias e noites sem comida, bebida e sol. Finalmente arrombaram a porta. Tiraram o menino esquisito, desidratado e morto de dentro do quarto. E foram enterrá-lo.

Em seu velório e em seu enterro havia muita gente. Todos que estudaram com ele em todas as escolas que ele passou. Toda sua família e até o motorista do ônibus que ele pegava todos os dias, religiosamente. Talvez, o menino esquisito não fosse esquisito, mas assim se sentia. Afinal, todos lhe davam bom dia, todos lhe sorriam, todos lhe convidavam pra sair, menos uma pessoa. Aquela pessoa importante. Aquela especial. E por isso, nada mais pra ele tinha valor. Ninguém mais tinha valor. Apenas uma. A única que o achava realmente esquisito.

E sem mais, pra terminar, o final do fim. O fim de tudo. Em sua sepultura havia os dizeres feitos por sua mãe. Havia a seguinte escrição:
"Não o queria morto.

Mas ele quis assim.

E ele só quis tal morte, para acompanhar tal vida.
Viveu sempre num mundo... sozinho,

afogado em seus pensamentos e embrulhado por suas lágrimas.

Se assim foi a sua vida, assim queria que fosse a sua morte!"

terça-feira, 5 de abril de 2011

Um desabafo nu e cru

Resolvi mostrar toda a verdade pra ele.
Ele, por sua vez, se abriu pra mim.
Precisava tomar conhecimento de tudo que estava escondido.
De tudo que estava guardado.

O dicionário diz
que sinônimo de dor é paixão
e não amor.

E aquela verdade me fazia perder o chão.
Não entendia direito o que queria que eu entedesse,
ao passo que eu próprio não sabia direito o que lhe mostrar.
Até que lhe mostrei.
Até que tais verdades foram apresentadas.

Errante não é errado.

É sem destino.


E após tal desabafo,
proibido e inevitável, errado e divertido,
prolongado e rápido
que eu nem sei contar a vocês, leitores,
acabou.
Entenderam bem?
Acabou!
As verdades foram postas à mesa,
e tínhamos que sorrir
como se estivéssemos sendo filmados.
E, logo após, foi o fim.
Cada um para o seu lado.
Nunca mais tocaram no assunto.
Nunca mais tocaram.
Nunca mais.
Nunca...

O "fim" existe,

é belo, inesperado e inevitável.
Mas o "em" gosta do "fim" e raramente o abandona.

Portanto, "enfim" se escreve junto.

Eu até posso ter dito que acabou.
Mas a história continua de tal forma
que é um tanto quanto complicada de se explicar.
Afinal, cada um em seu canto...
Eu sei que a história continuou pra mim.
Pensando o quê, além de verdades, ele poderia me oferecer.
E se minha verdade era tão doída,
que me fez perder sua amizade,
que o afastou de mim.

Entrelinhas não quer dizer 'entre as linhas',
mas uma mensagem oculta, implícita em uma frase.

Até que eu aprendi que isso não era tudo.
Me acertei com meu Deus, por aquelas cartas postas à mesa.
E eis que me reaparece.
E "ressome".
E o que eu faço, agora?
O que fazer agora, eu não sei.
Mas de uma coisa eu sei:
Podem haver muitos, mas igual ao primeiro desabafo,
nu e cru,
não haverá!

Você diz que vomita bile,

mas a bile é lançada ao intestino.

E você só vomita o que está no estômago.


Sabe, meu caro leitor?!
Nem tudo que parece é.
Nem as coisas cultas ditas aqui,
muito menos as leigas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ao amigo

Como é simples questionar a dor que a perda traz!
Mais simples ainda é a resposta.
O próprio nome já diz: PERDA!
Você é acostumado a ter e de repente, não tem mais.
PERDEU.
Não é óbvio?

E, talvez, outra dúvida surja
quanto ao fato de se apegar às coisas, sabendo que elas se irão.
E se isso é válido!

Para cada dúvida, a resposta é mais fácil!
Não se acredita que se vai sofrer por tudo isso.
Você acaba acreditando, por si mesmo ou porque alguém conseguiu te convencer,
que você teria e guardaria para a vida inteira!
E se vai valer/vale/valeu a pena sofrer tal dor... é uma pergunta que só o sofredor pode responder.

Quem sabe não haja dúvidas sobre tal pergunta!
Mas não consegue reagir ao fato da felicidade, implícita no apego às coisas, transpor pelas suas mãos.

Porém, sabe o que as crianças fazem quando o leite cai no chão?
Elas choram!
E de repente, elas percebem que não vai mudar nada!
Então, elas param de chorar e se preparam para um novo copo de leite.
Sendo que este pode cair de novo ou não.
Mas elas não vão deixar de chorar.
Nem de esperar o novo copo.

Aí, você me conta que você gosta muito do que é clássico e antigo.
E que o novo te assusta.

Hey!
O mundo muda!
A gente muda!
Não há meios de se parar no tempo.
(Não por enquanto).
(In)felizmente, o que é clássico e antigo é em preto e branco.
E convenhamos que, em questões de "avanço",
preto e branco tá meio caído.

E é como eu sempre digo:
"O bom do ser humano é a capacidade de adaptação!"
O novo te assusta porque você ainda não o conhece!
E não deu a chance para ele te mostrar que pode ser tão bom quanto o "preto e branco".
Só que colorido!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Meu pedaço de gente

Sabe o que se diz sobre o amor?
Que apenas se sente.
Mas, se o que passa dentro do meu peito é amor,
não é tão simples assim.

Eu te quero e não te tenho.
Eu te tive sem te ter.
Quem sabe, ainda hoje, assim funciona...

Mas o que eu queria mesmo,
nesse exato momento,
era ouvir tua boca
nessa noite de lua nova
sussurrando ao meu ouvido
que você ainda me ama.
E depois calá-la,
essa mesma boca,
com meu beijo.

Talvez, se eu gritasse
você poderia me ouvir.
E eu te diria o quanto você me faz bem.
O quanto você é especial.
Mas, os ventos frios da noite
me calam.
Por que ao invés disso,
eles não levam minha voz aos seus ouvidos?
Por que eles não me levam pra você?

Eu não sei por quê,
mas meu grito não é alto suficiente.
Mas de uma coisa eu sei,
os seus são tão altos
que eu consigo ouvir tua voz
aos pés de minha orelha,
o tempo inteiro.
Será, mesmo, que estás gritando?

Acho que isso
é apenas mais um desejo meu.
E se por acaso,
quando minha voz conseguir te alcançar,
você ouvirá a minha voz mais doce
te pedindo um beijo.

E quando pedir esse beijo,
você me dará?

Sim, meu bem,
quando minha voz
a ti chegar,
bem perto estarei.
Como, agora, você está comigo.

Sim, eu sei,
nosso tempo é diferente do de Deus.
Mas no meu tempo
tudo acontece fora de hora.
E você
é uma prova disso.

E, não se preocupe
caso me veja chorar.
Até o dia em que te encontrar,
até lá,
eu já estarei me acostumando.
As lágrimas cairão,
mesmo assim.
Porque me acostumarei
a não te ter.
Mas, jamais concordarei.

E por isso, hoje te peço:
Me espera?
Eu te esperarei.

Sabe o que dizem sobre o amor?
Que apenas se sente.
Mas, se o que passa dentro do meu peito é amor,
eu to gostando.

Sim, meu bem,
eu to gostando
de gostar de você.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Por você, até o Japão em cima de um papagaio real

Quando o sol bater, te acordando no meio da madrugada, lembre-se que eu o pedi que assim procedesse.
Fui até o céu da mesma noite, porque cansei de gritar pra lua me ouvir. Fui com minhas asas de ouro dourado e contei tudo ao seu ouvido. Ela me deu a ideia mais fantástica. Ela me disse que se eu te desse uma estrela, você seria minha. Pulei de nuvem em nuvem, perguntei a cada estrela, procurando aquela que concordaria com a ideia de sua mãe, qual delas iria pra casa, pra que eu entregasse ao meu amor. Isso significaria que, aquela que aceitasse, deveria descer do céu e ficar na terra. E depois de rodar a metade do mundo, sem encontrar uma estrela sequer, achei a maior e mais brilhante estrela. O sol. Era da cor de minhas asas. Como com a lua fiz, contei ao sol sobre meu amor.
Aquela estrela entendeu minha história e quis descer aqui para que eu pudesse te dá-lo. Mas, com seu tamanho, acabaria com as nossas vidas, antes que eu te ganhasse. A minha ideia (a que eu contei ao sol) não era minha. E isso o sol percebeu. Ele me disse que era de sua amada lua, e que eles foram designados a viverem um em cada canto da Terra.
Ora pois, não poderia ajudá-lo? já que ele queria me ajudar.
Convenci que devia lutar por sua amada, assim como eu estava fazendo. Como se o amor tivess me ajudado, tive a fascinante ideia, te daria o sol sem entregar-te. Mas entregaria-o a lua.
E o mesmo tempo que demorei pra chegar ao sol (cerca de um tic e um tac do ponteiro dos segundos do meu relógio de chocolate), demoramos pra chegar à lua. E às 03h00m, chegamos. O sol e eu, nele montado.
Mostraria a todas as estrelas como nosso amor valeu à pena. É, eu teria mostrado se os dragões não tivessem comido todas elas. Mas isso já é outra história.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Conto de fada

E muito tempo já passou.
Muitos anos já ficaram pra trás.
Ainda posso contar contigo.
Ainda posso ser seu amigo.

Histórias do hoje, eu ouço.
Histórias do ontem, eu pergunto.
Gosto de saber o que se passa.
Gosto de rir o ar da tua graça.

Uma criança com outra,
ou seja, duas.
Cheio de vergonha, excitação,
medo e infantilidade.

Vergonha das pessoas e suas piadinhas.
Excitação em ter, enquanto muitos não tem.
Medo do toque que não seria bem recebido.
Infantilidade, pois, ora, era criança.

Ainda terei vergonha, mas lutarei contra.
Excitação passou, por me juntar aos muitos.
O toque, talvez tenha sido o que faltou.
Infantilidade? Cresci!

Pode ser que eu seja o único
que não pediu sua mão.
Mas, pelo menos, fui um
dos poucos que não te machucou

Pelo menos, fui um.

Hoje, já nada quero
além de sua amizade.
Hoje, eu quis que tudo
já tivesse sido diferente.

Mas, se acaso, assim fosse
não teria, eu, crescido
e aprendido a tratar melhor
a nova mulher que está por vir.

Me disse que
serei um eterno "fofo".
O conto de fada.

Eu te prometo:
se serei um eterno "fofo",
você será sempre
a minha primeira namorada.

Ps': Baseado em "Zignal - Primeira Namorada"
Ps'': Considerada primeira. Na verdade foi a segunda.

domingo, 29 de novembro de 2009

Lullaby

E tudo que acontecia
era mais uma realização
do mesmo sonho.
Mais uma vez, menino.
Com todo amor e pureza
que se podia ter.
Menino que ama a D. Aranha,
que vigia o Dr. Peixe.
Cuida do Seu Lagarto
enquanto o Mestre Camaleão se esconde.
Num mundo onde a D. Aranha cura, dança e ri.
O Dr. Peixe não esquece aquela história.
O Seu Lagarto dorme no escuro.
E o Mestre Camaleão se esconde.
Esse menino, maluco de felicidade,
se sente livre por perceber que
já não se apaixonava mais pela D. Aranha.

Mas alguém deve ser agradecido por tudo.
Por isso, te agradeço, Ziraldo,
por desenhar aquele risco, naquele céu.
Fazendo o menino ficar louco.
E te peço por quem já experimentou meu abraço,
mas hoje pode nem se lembrar mais.

Tuntz-tuntz faz o coração,
ou era apenas a batida
do Seu Lagarto no colo do menino
que mascava seu chiclete.
Pã-( pausa )-pã fazem os olhos
ou a D. Aranha se defendendo do menino.

Ah, faz o menino
porque Ziraldo fez seu sonho
vir ao mundo real.

- Faz a estrela
que o menino olha,
que olha pro menino,
que o deixa maluquinho.

Tic-tic, faz a lágrima ao cair.
Maluquinho, não mais.
Sozinho.

Passou.
E a noite acabou feliz.
Embora ter tido que tirar sua panela...
Menino??
Continuava sendo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Suicídio incompleto

A todos que eu amo,
e sabem que eu os amo,
agradeço pelo amor
e também, pela dor do amor.

Infelizmente, já não quero mais
tudo o que me dás.
A pressão que traz
consigo seu capataz,
não me satisfaz.

Criei meu próprio algoz,
que porventura sou eu,
o qual me faz feroz.
Feroz com o amigo teu.

Amigo este
que agora te escreve.
Da beira da janela.
Com sua infelicidade,
sua dor no coração.
Com sua incapacidade
de se jogar no chão.

Esta carta foi feita,
mas nada mais.
Seu amigo não aceita
não ter mais Paz.

Paz que não tem
por ser três em um.
Ele, eu e quem
só quer ser mais algum.

Paz que foi desfeita
por vos amar demais.
Sua prima, que se enfeita!
Sua amiga, ou algo mais!

Deixo-vos de lado.
Dos meus pais eu me despeço.
Amo-os mesmo atado
ao meu cais submerso.

Submerso em pranto.
Por ter amado tanto.
Por continuar a amar,
desisti de pular.

Digo "tchau" a todos
nessa carta de despedida.
Passando só um rodo
em minha alma despida.

Despida e enfurecida
por dar um "tchau" e não um "oi"
Nessa carta de despedida
de alguém que nunca foi.

domingo, 24 de maio de 2009

Tempo "livre" na sala de aula

-Aaaaah.
-Medo de você.
-Não tenha.
-Vou pensar no seu caso!
-Ok. Qualquer dúvida chama o Zorro. Chapolin?
-Pode deixar. Obg pela dica! Acho + bonito o Zorro mesmo :)
-Disponha.
-Só p/ isso? /TAPAREI ;x
-Ah, pode dispor p/ outras coisas também!
-Aiaiaiuiui. Vc tá ai ainda?
-Sim. E você?
-Não, eu morri faz 3 anos ;-;
-Ah, por isso que eu fiquei 4 anos te esperando =D.
-MIJOS. Relaxa que eu sou da Paz.
-Esse é o nome da sua funerária?
-Não... Sou da Paz Eterna.
-Paz Eterna, da onde?
-Do Parque da Paz. Conhece?
-Já visitei. Numa noite que não tinha nada pra fazer!
-Ah tá. Entendo. Fico vagando lá de vez em quando, vc sabe como é, sofro de insônia. D:
-É, talvez pq morto não dorme. Oo'
-Claro que sim. Um sono profundo. O.O
-Ah.Eu não durmo há 7 anos.
-Ah, você morreu tbm? Onde tá enterrado?
-Ah, não acharam meu corpo.
-Poxa, que triste. Morreu de quê?
-Não sei, foi rápido demais. Eu só vi qnd subi.
-Hum. *mfmf* Foi pro céu?
-Sim. Você não?
-Sim, tbm. Não tive oportunidades de cometer muitos pecados.
-Isso é bom...ou não. Com quantos anos morreu?
-Morri com 27, ainda virgem, até da boca. /CRY, e vc?
-Com 30. Morreu de quê?
-Mesmo problema que minha mãe.
-E qual era?
-PÁNELA...
-(?)
-Um trator deu ré e pá-nela.
-Putz. Que azar. As duas morreram assim. Mas pq que vcs estavam atrás de um trator?
-Tínhamos um terreninho no alto do morro do interior da minha cidade. Ficávamos vigiando os peão que trabalhava pra gente ( aqueles primo que trabalha em troca de pão e água).
-Nossa. Mas com 27 anos já se comete muitos erros. ^o)
-Erro só se for no trabalho braçal de cada dia. Pq não tinha tempo pra minha pessoa. Sabe como?
-Não, no dia que eu morri eu ia encontrar com uma menina.
-Que menina.
-Não sei, não conhecia, meu amigo ia apresentá-la naquele dia.
-Show de bola.
-Pra você, né?!
-Ou mais :P
-Ou menos. HAHAHA =D
-Vish que corte...vc tem uma colher?
-Não uso isso aqui. Pq quer?
-Pq tô te dando sopa. /Pegaelbgs =*
-

terça-feira, 5 de maio de 2009

Obrigado, Pai! Eu também Te amo.

E me valeu o dia,
aliás, todo o feriado.

Com duas horas de sono
à base de um pó sem resultado.
Num caloroso frio.
Sob a forte luz dos apaixonados.

Em faixas e mais faixas,
onde pessoas passam,
deitávamos em pleno gozo.
Gozo eterno pela luz,
pelo deitar.
Entre risos e fotos dizemos:
"Sim, é um protesto.
Contra a tristeza!"

E aquele céu,
ah, aquele céu,
que resolveu abrigar uma outra luz,
que chega num tom róseo.
Espanta a forte luz dos apaixonados,
aos poucos,
abandona o mar.
E aquele tom,
aos poucos,
nos vai aquecendo cada vez mais.

Cessamos, após risos,
conversas e piadinhas.
Em frente aquele mar
sem fim, aquele céu.
Recebo meu Senhor.
E tudo o que eu tenho que fazer
é agradecer.

Penso em algo,
penso melhor e desisto,
pois não fazia sentido.
Penso de novo e descubro
que não tinha como
não fazer sentido.
Não tinha como aquela água salgada
ser mais abençoada.

E de joelhos,
me benzo com aquela areia sagrada.
Me benzo com aquela água salgada.
E se pudesse pegar aquele céu sagrado.
Aquela nuvem abençoada.
Aquele sol caloroso, como minhas palmas à Ressurreição.
Aquela lua apaixonada, como eu já fui.
Aquelas estrelas, todas escondidas pelo calor.
Ah, se eu pudesse pegar tudo isso,
tudo abençoado,
me benzeria uma vez com cada um deles.

Que alegria imensa naquele dia.
De novo, eu digo:
"Obrigado, Pai!
Eu também Te amo."