Mostrando postagens com marcador Saudades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saudades. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de outubro de 2024

Eu te amo-ei.

"Eu te amei" é a frase que todos os dias eu quero te dizer.
A diferença disso... dessa informação? Nula.
Mas todos os dias, na minha cabeça, eu crio coragem para te dizer "eu te amei".

Talvez a frase esteja no passado, porque acabo buscando alguma auto-preservação tosca e enganosa. Talvez porque sobre o passado eu tenha certeza. Enquanto que sobre o presente ou o futuro, eu desconheça sua completude e exatidão. 
É confuso.

"Eu te amei"... no passado da frase "eu te amo", que é o que eu gostaria de te dizer todos os dias, desde o dia que eu disse pela primeira vez. 
Porque ali, naquele momento, eu tinha certeza que eu te amava. Eu tinha a certeza que eu me perderia pra sempre no seu olhar.

"Eu te amo" é o que eu queria te dizer, também nos dias que eu "não te amasse". 
Também nos dias que a gente discutisse, que a gente se chateasse. 
Mas que mutuamente nos lembrássemos que "eu te amo" e que aquilo passaria.

Na realidade, não passou. 
E (em alguns sentidos) eu não posso mais dizer que "eu te amo".

"Eu te amo"…
também é a frase que eu gostaria de ouvir de você,
todos os dias.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

La verdad

La verdad és que me gustaria que nunca se hubiera acabado. Que estuviéramos juntos. Que pudiera verte a cualquier hora y cualquier momento.

La otra verdad és que me gustaria no haberte conocido. Así yo no iba a saber qué és el sufrimiento. Yo no tendría que agarrarme a la história que yo inventé para vivir sin ti.

La tercera y la última verdad és que ¡me gustaria muchísimo no haber conocido el amor!

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

A porta que eu abri.


Ouça, enquanto lê...

Havia uma porta.
No meio do nada, uma porta.
Tudo era escuridão e vazio ao seu redor.
Apenas uma porta.

Havia uma pequena escada que dava nesta porta.
Uns três degraus, eu acho. Nunca me atentei a contá-los.
A maçaneta era redonda.
E o batente, lindamente esculpido.

Não consegui mais vê-la fechada.
Abri.
O que há tanto tempo esteve trancada.
Abri.

No dia que você bateu a porta e passou a chave, eu escorreguei por ela. Chorei sozinho e copiosamente. Solucei, sem ninguém me ver. Porque é tudo escuro.
Dias se passaram e eu me levantei. Alisei a porta, como se acariciasse seus cabelos, seu rosto, sua barba.
Contei as ranhuras, como se eu pudesse contar as pintas de suas costas ou de seus ombros.
Colocava a mão sobre a maçaneta, sem rodá-la.
Olhava pela fechadura e checava por debaixo da porta.
Passos do outro lado? Bilhetes escondidos?
Qualquer sinal de que estava, então, aberta.

Semanas incontáveis foram necessárias, até que eu saísse das escadas.
Até que eu abandonasse meu posto, na escuridão.

Sequei o rosto e saí.

Virava e mexia, passeava pela porta.
Quem sabe haveria um bilhetinho esquecido por ali?

Os cenários foram mudando. E eu já não sabia mais se você tinha a chave ou se a tinha perdido. Ou, se por acaso, eu, bêbado, havia trocado as fechaduras, sem te contar.
Como você abriria a porta?
Então fiz uma cópia da chave. E passei pela fresta embaixo dela.
A verdade é que eu mesmo a abri.
Abri só um pouquinho e a deixei encostada.

Você a escancarou e me viu ali.
Meu coração palpitou, mas eu tive controle sobre tudo.
Tudo continua uma grande escuridão e eu não consigo enxergar o que há do lado daí.
Eu poderia trazer lanternas, trocar as lâmpadas, ou simplesmente entrar.
Mas acho que eu nem quero.

Só precisava da porta aberta e meia hora de papo.
Desculpe se durante a conversa eu começar a novamente olhar pela fresta ou contar as ranhuras da porta.
São velhos hábitos, que eu não entendo muito bem.

Uma pena não ter tido nenhuma carta no chão, mesmo com tanto tempo passado.
Uma pena maior não podermos conversar de verdade por meia hora.

Só não se vá de novo.

Mesmo que nunca mais venhamos à porta, vamos combinar de deixá-la aberta.
É mais confortável aceitar que não há nada do outro lado, quando eu vejo somente a escuridão através da porta, do que me questionar se foi o vento que bateu ou se foi você que passou a chave de novo.

domingo, 16 de agosto de 2020

Ainda

É que você não sabe, mas a gente ainda dorme junto. A gente ainda passeia pelas ruas da cidade. Você ainda ensaboa meu corpo, enquanto eu passo xampu na sua cabeça.

Talvez você não saiba, mas eu... Eu ainda sinto a sua falta.

Talvez eu não saiba, mas talvez eu ainda te ame.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Eu não vou lembrar seu nome.

Às vezes me pego pensando se deveria ter te deixado voar. Me parece que fiz tudo o que podia. Falei todas as coisas que eu precisava. Todas as que me engasgavam. Todas que me vieram à cabeça, por tanto tempo, e que eu remoí, dentro de mim. Como um gado ruminante, a ruminar todo esse sentimento que um dia eu chamei de amor. Que talvez ainda o chame, não sei bem. 

E de todas as coisas que vivemos, cada minuto de felicidade e de tristeza e de amor e de ódio, só uma me traz paz. O dia em que despejei sobre você todas as palavras que ruminei. E por isso, eu te prometo. Por mais difícil que seja, eu te prometo: Eu não vou lembrar seu nome.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Despedida sem cor

E na fumaça do trem, escrevi o nome do meu amor.
Porque era mais fácil agarrar às letras que compõem os sons da minha saudade do que lembrar da imagem de uma despedida sem cor.
E aqui, no mesmo lugar onde você me deixou, observo a fumaça cinza se desfazendo pelo céu azul e levando seu nome para longe.
Rogo para que um dia a minha saudade cinza também se desfaça em azul.
Para que um dia consiga colorir de novo, esse céu chuvoso de tristeza em meu coração.
Para que a saudade seja somente uma palavra, que se perde no tempo, na cor, no peito e na estação. Doendo a partida, mas sem doer a dor da perda.

ps: Em parceria com Dime. Para mais, procure no Instagram @dimecitou

domingo, 22 de dezembro de 2019

Simplesmente, assim

Ouça, enquanto lê.

Querido diário,

Hoje, sonhei com ele.
Ah, como foi bom.
Eu me sentia bem inseguro ainda. Agia com dedo para não feri-lo, não machucá-lo. Não afastá-lo de mim.
Mas estava tão gostoso.
Eu não podia deixar de sorrir.
Com meus olhos, minha boca, meu corpo, eu sorria.
Sorria até com a alma.

Ele estava junto comigo.
Eu deitei sobre seu peito.
Em outro momento, deitamos de lado, abraçados.
Minha mão agarrando o peito dele.

Era tudo o que eu queria.

Mas, no fim, eu acordei.
Eu juro que rezei pra dormir de novo e voltar para o mesmo sonho.
Não deu.

De novo, eu me vejo sem ele.

E foi isso.
De maneira bem direta.
Um desabafo superficial, que carrega sentimentos bem profundos.
Sem meus devaneios, delirios.
Sem jogo de palavras.
Sem todas aquelas sentimentalidades ou ênfases poéticas que eu gosto de escrever.
Assim. Simplesmente, assim.

E é como diz a música:
"Te tenho em sonhos. E somente eu sei  o quanto eu esperei. Vem me tirar dessa prisão de somente te ter se eu sonhar outra vez."

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Léxico

Ouça, enquanto lê...

Uma vez, eu li uma frase que dizia "a língua portuguesa tem 435.000 palavras. E com nenhuma delas, eu consegui te fazer ficar". 
Me doeu, o coração, quando li. As palavras que sempre mexeram comigo e que sempre pensei serem minhas amigas, não foram suficientes pra te fazer ficar. E posso dizer que tentei até pegar algumas emprestadas de outras línguas. Apesar de estarmos falando de palavras, sei que lutei muito, sei que agi muito. Provavelmente, errei muito. 
Me peguei pensando que talvez eu devesse até ter inventado uma ou duas palavras novas e quem sabe, assim, você não iria embora. 
Mas, agora, no fim, acredito que isso não te faria ficar. Apenas serviria pra eu dizer que de 435.001 palavras, nenhuma delas te fez ficar. Ou 435.002 ou 3, ou quantas palavras mais eu tivesse inventado. 
Fica? 
Eu passo um café pra nós dois. 
Eu te faço um cafuné.
Você gostava tanto de mim. Não consigo acreditar que tudo se foi mesmo. Será que não sobrou um pouquinho de sentimento aí no seu coração? 
No meu, sobrou um buquê inteiro de sentimentos, pintados com o mesmo amarelo das rosas que te dei. 
Mas a cada dia, parece que me cai um caco novo, ao chão. 
E em quantos cacos devo partir meu coração até ter você de volta? Qual parte de mim te afastou assim? Te arremessou pra longe? Foi meu café muito doce? Ou o gosto da bala em minha boca, quando te beijei? Algum dos meus cacos te furou? 
Fica.
Volta!
Me ajuda a colar tudo. E fazer bater novamente, o coração que um dia eu te dei.

terça-feira, 7 de maio de 2019

O vazio da lembrança

Ouça enquanto lê.

E meus olhos resistem. Não querem se fechar, não permitem que eu durma, enquanto não te tenho ao meu lado. Fico com meus pensamentos rondando por onde passamos e aonde chegamos. Revivendo memórias incríveis, momentos tão felizes, tão importantes, tão puros. Sinto meu corpo estremecer. Meu corpo sente a falta do seu. Meu ouvido busca a sua voz. E minha esperança te espera no portão, todos os dias. Meu sorriso se ensaia em frente ao espelho antes de sair de casa, para a hora que você chegar. Tento dizer a eles que não é hora ainda. Mas nem eu mesmo acredito nas minhas palavras. No fim, eu mesmo os encorajo a buscarem sua voz, te esperarem no portão ou se ensaiarem em frente ao espelho. Eu mesmo escolho a roupa que vestirão, os lembro de pôr um casaco e de pegar um guarda-chuva.

Mas me preparo em vão, todos os dias. E o que me agoniza e me conforta são mesmo os pensamentos e as memórias que me cercam. São eles que me fazem companhia (que meus travesseiros não me ouçam). Abraço-os – os pensamentos e os travesseiros – na esperança de te encontrar, procurando seu cheiro. Gosto de brincar que é nas suas pernas que estou dando nó. Ou que é no seu peito que estou deitando a minha cabeça. Chego até a acariciar um deles, pensando que poderia te fazer um cafuné.

Rezo todas as noites (ou a toda hora) por um momento melhor. Onde eu não seja velho, mas ainda seja jovem, com toda vontade de viver. E assim possa viver junto com você. Oro pela nossa felicidade. Que não sejamos cordeiros em época de caça. Mas que sejamos estrelas altas, lindas, brilhantes, que iluminam a escuridão. Que sejamos como as araras, a voar em pares. Que meus ouvidos encontrem a sua voz. Que seus olhos encontrem o meu sorriso. Que minha esperança te encontre no portão. E que meu corpo esbarre no seu.

Por fim, durante a minha oração, meus olhos que não aguentam mais, se desabam. Interrompem qualquer busca por você. Afastam todos os pensamentos e memórias lindas. E me deixam o vazio da lembrança, sem cheiro, sem cor, sem sorriso. Debulham-se. Minhas forças psíquicas, físicas e emocionais se esgotam. E antes mesmo que eu termine a minha oração e bem antes que eu te encontre, de tanto escorrerem, meus olhos, finalmente se fecham, e eu durmo.

terça-feira, 21 de março de 2017

Morde e assopra.

Te escrevi uma carta de amor. Rasguei a pobre coitada. Afinal, eu nem te amo. Não sei porquê a escrevi. Talvez por um momento delirei ao lembrar de você, da sua cama e de nós dois. Achei tão perfeito nosso momento, que delirei. Achei que te amava e te escrevi.

Fui revivendo "a gente", até chegar ao momento em que você me assoprou e logo me mordeu. Logo lembrei que não havia amor.

Rasguei a carta.

Hoje, te escrevo, ainda não sei por quê, pra dizer que vou viver sem você. E nem vou precisar te assoprar antes de morder.

domingo, 15 de maio de 2016

Saudade

Ouça enquanto lê...

Essa é uma palavra doída.
Às vezes, não sai da boca; às vezes, não sai do peito.
Às vezes, conseguimos com um simples telefonema sanar tamanha dor que tal palavra traz.
Às vezes, morrer parece a solução.

Uma palavra que consegue sair do estômago e escapar pelos olhos,
pela voz,
pelas mãos...

O peito vai apertando, como se respirar fosse impossível.
Os olhos se enchem, mas nem existem mais lágrimas pra caírem.
Não se consegue parar de chorar, mas nem se quer parar de chorar.
A vontade que se tem é de se contercer e gritar.

Será que o grito é capaz de chegar ao seu ouvido?
Será que você saberia a importância que tem pra mim, caso eu pareça um louco gritando e chorando a mil quilômetros de distância, ou talvez a uma distância impossível de ser calculada?
Vou sofrer sozinho em vão, então?

Eu não sei mais terminar isso aqui.
Talvez tenha perdido um pouco a prática da escrita.

Então, aqui no fim, vou só dizer que vocês fazem muita falta.
Que de vez em quando eu choro baixinho, calado, sem nem ninguém saber...
Minha saudade é tamanha que mil anos não seriam suficientes.
E meu medo é de chegar o dia em que vou sentir uma saudade que jamais será acalentada.

domingo, 30 de novembro de 2014

Nós dois

Ouça enquanto lê

Eu nunca acreditei nessa coisa de super heroi,
nunca tive essa ilusão.
Sempre me foi ensinado a encontrar herois de verdade, no meio da sociedade.

Herois que lutam por suas famílias,
que suam o pão de cada dia,
que dão a César o que é de César.

E encontrei, como me ensinaram,
vários herois.
Mas o grande mágico de tudo é que, muito criança que sou, encontrei o meu heroi.

Demorou um pouco pra reconhecê-lo,
demorei até perceber quão poderoso era meu heroi.
E eu descobri que era mais que isso.
Ele era um super heroi.

Super sim,
com o poder do amor,
da sabedoria,
do ensinamento...

Super em todos os sentidos da palavra.

E eu não sei o que acontece,
não sei bem dizer por que.
Mas cortaram a capa do meu super heroi.

Hoje ele tem medo.
De amar, tem medo.
A verdade é que meu heroi tem medo.

Eu não sei vestir um escudo e enfrentar essa escuridão.
Eu não sei lutar por mim, quanto menos por nós.

Posso te custurar outra capa?
Te fazer asas?

E se eu te disser que eu também tenho medo?
Que eu morro de medo de pensar em não ter meu heroi?
Que eu morro de medo que alguém me veja chorando porque meu heroi não voa?
Que eu me desfaleço de saudade?

Eu me meleco de medo do que pode acontecer no ano que vem...
Me tremo todo, da cabeça aos pés, em pensar se eu estou no lugar certo.
Porque sempre andou por nós dois...
Eu não sei andar sozinho, nem sei te carregar.

Eu não sei nem mais o que dizer.
Eu não sei pra quem gritar.
Eu não sei em qual ombro chorar.
Eu só sei ter medo junto.

Porque se meu heroi tem medo,
eu também tenho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

1 minuto e 26

Ouça enquanto lê.

Já não sei mais escrever do jeito que queria, como costumava. Queria ter escrito em versos curtos e em rimas, que procurava por essa música. Escrever que ela dizia o que queria te dizer: que eu sinto sua falta; que eu sorrio quando lembro daquela noite em que estivemos juntos e de todas as vezes que você me amou e eu te amei. Mas a música tinha que ser lenta, pra combinar com o sentimento que expresso aqui em meio a tantas palavras. Infelizmente, a que eu achei não era lenta por inteiro. Era lenta só até 1 minuto e 26. A escolhi da mesma forma, afinal foi a única que encontrei e ela diz exatamente o que desejo dizer nesses três parágrafos.

Sendo assim, por favor, peço que leia no tempo certo. No tempo em que eu calculei. Do jeito que eu planejei. Leia enquanto ouça, antes que o ritmo se mude e mude toda a entonação da sua leitura que eu preparei com tanto carinho, com tanto amor e tanta saudade. Sinta o que eu quero dizer durante esse 1 minuto e 26. Porque mesmo que tenha usado essa música curta e tenha escrito em prosa, sem pausas e sem rimas, eu vim te dizer que sinto sua falta, que penso em você e penso sorrindo. E que escrevi isso tudo pra você. Escrevi pra você lembrar de mim e sorrir.

Mas pra valer tem que ler em 1 minuto e 26.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

in memorian

Existem muitas coisas que são difíceis de se explicar.

Quando você não consegue se lembrar do poema que montou durante o banho.
Quando as cores se tornam mais foscas, opacas, sem brilho e sem cor. Sim, as cores ficam sem cor.
Quando as estrelas se tornam mais e as flores, menos.
Quando o trem para. Os cavalos se deitam e a boiada passa, que demora.

Você não explica o que se passa quando a boiada passa.

Tá confuso, eu sei. Mas as coisas são assim mesmo.
Deixa eu tentar te explicar.

Consegue imaginar uma menina, a sorrir, levando a vida? como pode e deve ser feito?
É uma menina linda, graciosa. Não deu trabalho aos pais. Companheirona.
Era na sua, era engraçada. Centrada, diriam muitos.
Uma flor de tão meiga.

E, de repente, assim... simplesmente, de repente...
O telefone toca e você descobre que a flor desabrochou,
as estrelas se tornaram mais.
O trem, como diria John, parou. Não era possível suportar a velocidade com que se movia.
Alguém parou o trem. Talvez um cavalo deitado no trilho.
E aí quando você descobre, a boiada está passando, bem em sua frente. E passa, que demora.

As cores se indo, vão. Até que se tornem branco e preto.
E o que era lindo, como o poema que fez no banho, se torna apenas um conjunto de palavras que vão se misturando, tentando dizer o que nunca foi dito. Ou ainda, tentando dar um último adeus.

Hoje existe uma estrela a mais. Uma flor a menos.
Hoje os anjos tocam harpas e trombetas, porque uma filha de Deus ganhou seu espaço no Céu.
Hoje, a Mãe de todas as mães, buscou uma alma e entregou (em mãos, diga-se de passagem) ao próprio Criador. Depois, desceu e veio segurar na mão da mãe que fica a chorar sem entender o que acontece.
Os homens, fortes, se enfraquecem. Porque não há virilidade que supere a saudade, que supra a necessidade. A necessidade de mais um olhar vivo, mais umas palavras, mais um silêncio, mais um monte de meiguice.

Quando chegar aí em cima, por favor... prepare a maior e mais bonita biblioteca. Com todos os seus livros preferidos, de capa dura, banhada a ouro. E com todos que você ache que eu vou gostar. Porque um dia, a gente se encontra...

Pois bem...
Existem muitas coisas que são difíceis de se explicar.
E a morte é uma delas.

RIP

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Cara mia,




Lembro-me quando decidi sair de casa. Ouvi muitas pessoas me dizendo "não quero que você vá!" ou então "não vai, não". "Pra quê você tá indo?"
Eram sempre negações ou perguntas com uma única resposta: Estou indo atrás do que acho certo.

Lembro que não gostava muito de ouvir tais frases, embora eu sentia no fundo que era só carinho das pessoas por mim. Mas mesmo assim... Eu preferia ouvir "é isso que você quer? Vá atrás."

Hoje a minha vontade era, de verdade, dizer, gritar, implorar: "NÃO VÁ!" 
Fique aqui só pra eu saber que você tá aqui. Saber pra onde eu posso correr quando as coisas apertarem. Mesmo que eu não passe na sua casa todos os dias e até mesmo nem fale com você todos os dias.
Você tava sempre ali "no muro verde em frente ao poste" ou virando a esquina de onde eu almoço. Qualquer coisa, depois da aula, era só "dar um pulinho". 

Mas eu não vou fazer isso. Como eu disse, eu sei como é. Vá sim, vá pra debaixo das asas dos seus pais. Vá cuidar das suas irmãs. Vá atrás do que acha certo. Vá e me leve sempre. Não vale se for e esquecer de mim. 

Obrigado por tudo. Por me ouvir, por me falar. Pelas discussões complexas e pelas bobas. Pelas boas risadas. Pelo gato fedido. Por ser minha motorista. Por tratar bem a minha família. Obrigado por me fazer sentir especial, me fazer sentir bem. Obrigado por colher minhas lágrimas, como essas que agora estão rolando. Obrigado por me fazer entender que a gente aprende nos pequenos atos. E obrigado por fazer parte da minha história.

Sucesso na sua vida, a gente se esbarra por aí!

Fica com Deus, Ly.

Se cuida
Com amor, 

Ota

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mais que difícil


Tanto quis dizer que não falei.
Clichê, eu sei. Mas diz o suficiente, por mim.

Existem algumas palavras que ficaram impressas aqui dentro de mim e outras que se explicitaram.
Mesmo vomitando tudo aquilo que eu precisava, ainda não vale a pena vomitar tudo. Não vale a pena vomitar todas as palavras.
Elas sairiam de minha boca; se distorceriam no ar, pelo caminho e; cairiam como pedra em seu estômago frágil. E aí, então, eu te teria longe de mim, de novo.
Longe...
Bem longe...
E o quê poderia, eu, fazer pra que você voltasse? De joelhos, sem roupas, aos prantos, aos sorrisos, com as mais lindas roupas, apenas me pedindo pra que possa ficar.
É claro que pode. É claro que essa é minha resposta. Não consigo te ter longe por vontade própria. Não consigo te olhar nos olhos e dizer "se afaste". Às vezes digo que quero isso, pra mim mesmo. Que seria melhor, mas não. Eu não quero. Não há como enganar. Não há a quem enganar.

E nem mesmo importa quanto tempo passe. Eu estou sempre olhando no meu celular em sua procura. Seu número. Sua foto. Sempre olhando. Sempre "só checando". Sempre. Porque pode ser que um dia a saudade bata aí. E, não, nunca vai ser tarde demais. Você vai tocar a campainha, eu vou atender com um sorriso, perguntar onde esteve e dizer que sumiu.
Me dói. Me corrói. Me consome. Me faz pensar. Me leva pra uma outra dimensão que ninguém me encontra e, então, as pessoas tem sempre que ficar me chamando de volta à Terra, "Ei... Estou falando com você".

Eu queria mentir e dizer que nada disso é pra você. Mas isso é mais que difícil. Pois se algum dia você me ler, vai entender que é pra você! Mas, diante disso tudo, vai se calar. E esse silêncio... Ah... É uma morte lenta e dolorosa a cada dia, é um martírio, que passa...

E isso só me faz te observar de longe. Também quieto. Querer saber de seus passos, se eram acompanhados por outrem ou não. Se eram descalços. Se eram por mim, o que nunca seriam, mas quem sabe? Quem sabe também o que está escrito? Talvez isso morra aqui. Talvez seja pra sempre assim. Mais que díficil, mas assim.

terça-feira, 19 de março de 2013

O motorista e o passageiro


Aqueles que necessitam do transporte "público" entenderão melhor.

Acorda de manhã e pega o mesmo ônibus, quase todos os dias.
Às vezes corre até mais rápido, mas não é suficiente. O ônibus já se foi.
Às vezes vai a caminho do ponto passeando, entra no ônibus e ainda fica um tempo esperando-o sair da plataforma.

Sabe que pode acordar cedo porque o ônibus vai estar lá te esperando.
Não será em vão. 
Caso ele já tenha ido, é só esperar um pouco. Ele vai dar a volta e aparecer de novo.

Com o passar dos dias, você vai se acostumando com a idéia de pegar ônibus e não precisar andar.
Porque você tem acordado todos os dias a tempo e o tem alcançado, antes que zarpe.
Até que, por acaso, você o perca.

Então, de repente, você percebe que essa minhoca de metal não estava lá esperando por você.
O motorista não estava lá por você.
Era por ele mesmo.
Porque essa é a rotina dele, o fim da linha pra ele.
Não pra você.
Não por você.

Você vai continuar acordando cedo, correndo, pegando ônibus.
Mas você nunca vai saber se ele estará lá. 
Você nunca vai saber quando pode confiar, quando deve desistir.
Não vai saber, nunca, se estava lá te esperando ou só por ele mesmo.

Eu também. Nunca vou entender qual é a tua. 

sábado, 9 de março de 2013

Until I fall asleep

Sing a song to me
tonight, my dear.
Until I fall asleep
please, take away my fears.

I want to feel the peace
like I used to.
Sing a song to me,
is all I ask of you.

The sound of your voice
in this lullaby.
Even ocean calms down
while you're passing by.

Sing a song to me
is all I ask of you.
Calm the ocean in me
Until I fall asleep

Make the gray comes blue.
Turn one into two.
With a lullaby
Like you used to.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Isso também dói.

Não sei se é pior a saudade ou ter quase certeza que não tenho tanta importância como tem pra mim. E eu acho que essa dor da dúvida é a que machuca mais.
Porque se eu soubesse o meu significado, saberia também meu lugar. Saberia quando ligar, quando esperar, quando chorar e quando sorrir. Saberia se é um simples agrado, um acaso do destino, ou se tem todo significado e todo sentido me sentir assim.
Aliás, nem mesmo eu sei o que sinto. E isso também dói. Agita, faz descrer, consome.

E a dor da dúvida é a que mais dói

domingo, 30 de setembro de 2012

Pensamento solto

Ouça enquanto lê...

É pecado morrer numa janela durante a noite enquanto a sua música toca?
É pecado pedir um pouco de paz, ausência, silêncio, beleza, amor? Pedir clareza, certeza, inteligência, menos oportunidades de uma vez? Decisão?
Vale a pena sofrer, quando o que te faz sofrer sofre junto com você? Ou é melhor que se sofra sozinho?
Aliás, isso é sofrer de verdade? Porque pessoas que realmente passam fome até a morte, que passam sede, paleativos, abandonados, sofrem. Já que não existe outro nome pra esses sentimentos um tanto quanto passageiros que batem no peito e saem pela boca, pelos olhos, pela mão, acho que ainda é sofrer.
E se eu disser que é pecado sim, você morrer na sua janela com sua música, uma vez que você deseja isso e definha até conseguir? Pelo menos vai ter a sua ausência, o silêncio. Vai estar tudo decidido, será certo. E não haverá nenhuma oportunidade que esteja em sua decisão, como eu disse, já estará tudo decidido.
A sua música vai tocar e você não vai ouvir.

O complicado é que não compete tanto a nós. É o que sentimos. Não se controla, não se pede pra sentir. O sentimento vem, você querendo ou não. Você pode tentar controlá-lo. Mas ele vai continuar existindo. A angústia vai bater toda vez que seu filho sair de casa, mesmo que ele diga que "está tudo bem, mãe. Vou ter juízo!". A saudade vai bater toda vez que suas férias acabarem e você tiver que dizer "tchau, minha irmã. Daqui a um ano eu volto para nos vermos." A solidão vai sempre bater quando você ligar pro seu melhor amigo e chamá-lo pra um chopp ou pra ficar com você dentro de casa porque o dia está nublado, sua vida está nublada e ele nem atender o telefone porque está viajando com a esposa. Você não vai odiar seu chefe ou as leis trabalhistas por te impedirem de ver sua irmã, nem o seu melhor amigo por ter se casado e, muito menos, o seu filho porque ele saiu de casa. Você vai sentir isso tudo. Mas você escolhe se seu filho sai ou não, se liga pro seu amigo ou não, se volta a trabalhar ou não.

E aí? Você vai morrer todas as vezes que se sentir angustiado, solitário ou com saudade? Pode até morrer, desde que ao final da música ou quando a chuva parar de bater a janela, você volte. Assim, você consegue a inteligência que tanto pedia. Deixando-se sentir o que seu corpo produziu, mas sem deixar que tome total conta de você. Talvez você encontre a beleza de um arco-íris, se esperar um pouquinhozinho depois da chuva.

Mas ainda lhe faltam clareza e amor e também as oportunidades não-extremistas.
Ora, você tem a oportunidade de ir pra janela. A oportunidade de definhar. De ajudar os que passam fome, sede, os paleativos e os abandonados, embora você esteja sofrendo. Só perceber que eles sofrem mais e seu sofrimento se esconde de vergonha. Vai ficar claro pra você que você não é nada. É só o menino que sofre sozinho sentado na janela, olhando pro nada e de cabeça vazia.

Quanto ao amor. Amor é natural. Deixe que ele te ache. Quando te achar, não voltes mais para aquele lugar que eu já esqueci o nome.
A menos que seja um dia ensolarado. Porque se for, você pode ficar lá esperando ele passar e descer correndo a tempo de chamá-lo para uma xícara de chá no jardim, antes que comece a chover.
Mas enquanto chove, só espere que ele te ache!