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sexta-feira, 29 de abril de 2022

Sempre nua

Então folheio um livro qualquer, divagando sobre o que leio.
Essa poesia, escrevo como a última de minha vida. 
Cada letra ecoa e se torna parte de uma melodia,
compondo a música perfeita de uma trilha sonora.
E com o que leio, escrevo ou ouço, tento sempre refletir amor.
Portanto, quando - e se - declaro meu amor, é honesto. Da minha alma para as suas.

Afinal, isto é o que somos. Almas.

E quero a minha sempre nua, a banhar-se de sol. Com seus braços abertos, sentada ao parapeito. Sentindo-se. Lendo-se. Escrevendo-se. Sendo-se.

Entregue ao momento da nossa humilde existência, mesmo sem saber se o verei [ao sol] no alvorecer. Ainda que certo que ali, ele estará.

Chiaroscuro

A renascer
Na pintura
Na arte
Na tela
Sobre óleo

De Caravaggio
As curvas
O ângulo
A inclinação
Do corpo
Da boca
Dos olhos

De escuridão
Uma vida
Aqui
Remanescente
Renascente
Renascentista.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Fim de passeio

Ouça enquanto lê

Era como se subíssimos as árvores folhosas, só pra descer em suas folhas verdes.
Subindo pelo seu tronco, desde a raiz, escolhendo as melhores ranhuras, até encontrar o galho mais alto, do qual teríamos coragem de nos jogarmos.
Lá, bastava escolher a folha. Era só subir em cima e dar uma chacoalhada.
A folha se desprenderia...

E viria planando, pegando aquela corrente de ar, aquela brisa.
Os nossos rostos, ora iluminado pelos raios de sol de  um dia lindo, ora escuros pelas sombras das outras folhas, se encheriam de felicidade.
E, segurando na folha, vamos até o chão... Fim de passeio.
Sem problemas, afinal, é uma árvore folhosa.
Basta voltarmos à raiz e subir de novo.

Mas o outono chegou.
Todas as folhas já estão amarelas,
ou vermelhas,
mas no chão.
E se subirmos, não temos como descer.

Te chamei. Você não veio.
Eu subi sozinho e só tem um jeito de descer:
Sozinho.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Dançando no escuro

Eu vi o tempo passando em frente aos meus olhos.
Vinha dançando um tango argentino.
As notas que saíam dos violinos eram seu par.
E se esbarravam nas paredes
E tropeçavam nos buracos do chão.
As luzes, piscando, brincavam com as cores
e depois saíram pra jantar.
Deixaram a vida acontecer,
ao passo que a cada passao davam um passo,
dois ou três, seguindo a batida do tango argentino.
No jantar das luzes foi servido vagalume
e os pássaros vieram comer.
As asas batiam,
os bicos abriam e fechavam,
as penas voavam e seguiam a corrente do vento.
As correntes que amarravam o tempo.
Que acabou por conseguir se desprender.
O tempo, que passou pelos meus olhos
e até agora dança com as notas violinas
que saem do tango argentino.

sábado, 14 de abril de 2012

Unspoken words

What else do you want me to say?
Haven't I spoken everything?
Didn't you understand what I meant?
How can I make it more obvious?

Everything you heard came from me.
And everything was from my deep.
I really wanted to say those words.
I really wanted you to hear it.

But, please, don't ask me to repeat.
And the reason I wouldn't repeat
is not because it hurts.
I just can't remember what I said.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fantasma escritor

Uma sala de jantar onde ninguém janta.
Uma sala de estar onde ninguém fica.
Uma sala de TV onde niguém assiste.
Uma copa onde não se guardam as louças.
Um quarto onde ninguém dorme.
Um banheiro onde ninguém toma banho.

Uma casa onde só há escuridão.
Uma casa onde o vento venta.
Uma casa em que moram bixos.
Uma casa onde habita a solidão.

Uma casa onde tem um papel com linhas.
E uma caneta com alguma tinta.
E idéias vãs que se vão.

Uma casa onde só há TV.
O vento venta onde se guardam as louças.
Uma sala de jantar onde ninguém dorme.
Um banheiro onde moram bixos.
Escuridão onde ninguém fica.
Um quarto onde habita a solidão.

Idéias vãs com linhas.
Um papel que se vai.
E uma caneta que já não tem mais tin...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Por você, até o Japão em cima de um papagaio real

Quando o sol bater, te acordando no meio da madrugada, lembre-se que eu o pedi que assim procedesse.
Fui até o céu da mesma noite, porque cansei de gritar pra lua me ouvir. Fui com minhas asas de ouro dourado e contei tudo ao seu ouvido. Ela me deu a ideia mais fantástica. Ela me disse que se eu te desse uma estrela, você seria minha. Pulei de nuvem em nuvem, perguntei a cada estrela, procurando aquela que concordaria com a ideia de sua mãe, qual delas iria pra casa, pra que eu entregasse ao meu amor. Isso significaria que, aquela que aceitasse, deveria descer do céu e ficar na terra. E depois de rodar a metade do mundo, sem encontrar uma estrela sequer, achei a maior e mais brilhante estrela. O sol. Era da cor de minhas asas. Como com a lua fiz, contei ao sol sobre meu amor.
Aquela estrela entendeu minha história e quis descer aqui para que eu pudesse te dá-lo. Mas, com seu tamanho, acabaria com as nossas vidas, antes que eu te ganhasse. A minha ideia (a que eu contei ao sol) não era minha. E isso o sol percebeu. Ele me disse que era de sua amada lua, e que eles foram designados a viverem um em cada canto da Terra.
Ora pois, não poderia ajudá-lo? já que ele queria me ajudar.
Convenci que devia lutar por sua amada, assim como eu estava fazendo. Como se o amor tivess me ajudado, tive a fascinante ideia, te daria o sol sem entregar-te. Mas entregaria-o a lua.
E o mesmo tempo que demorei pra chegar ao sol (cerca de um tic e um tac do ponteiro dos segundos do meu relógio de chocolate), demoramos pra chegar à lua. E às 03h00m, chegamos. O sol e eu, nele montado.
Mostraria a todas as estrelas como nosso amor valeu à pena. É, eu teria mostrado se os dragões não tivessem comido todas elas. Mas isso já é outra história.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Filosofia em Saúde

Tento decodificar o que esse mestre fala!
Ele fala sobre trabalhos,
codificações, decodificações
e formações de novas mensagens.

Afinal, pra que serve isso tudo?
Não consigo achar um porquê pra tudo isso existir!
Mas, fazer o quê?
Por isso tenho que passar,
então, por isso, passarei!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

=X

Pelos normais servem para aquecer.
Pelos anais servem pra manter o brioco quentinho?
Por favor, quem arrepia os pelos do cu?
Acho que só servem para reter merda.

Qual a finalidade disso?

Moral da história: História imoral.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Preciso de você. ♫

Ora, pois Dona Dolores!
Que dor é essa que te toma?
Quem te deu tamanha angústia?

Ora, pois Dona das Dores!
Quão indolor ficaste?
Quem apagou o tempo?

Ora, pois Dona Dolores das Dores!
Sorria, que a dor é indolor,
depois que a angústia se perde no tempo!

domingo, 18 de abril de 2010

A triste história de um pescador

Joguei minha rede ao mar,
no intuito de pescar uma sereia.
"Só pegará peixes e tartarugas."
Me disseram.
Respondi:
"O que vier é lucro!"

Eis que a rede subiu vazia!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um conto anatômico

Era uma vez um osso sesamóide.
Ele estava em perigo. Um tendão horrível o prendia em suas fibras enormes e não deixava o pobre sesamoidezinho sair. Só havia um jeito de fugir daquela terrível prisão: pedindo ajuda!
- Socorro, socorro. Quem poderá me salvar?
Até que, finalmente, alguém gritou:
-Eu, o Tubérculo 'super'-glenoidal!!!
Ahá, nem tudo estava perdido para o pequeno osso curto. Ou será que estava?
Aquela projeção fez de tudo para salvar o osso que dá eficácia aos movimentos, mas não deu conta de livrá-lo das fibras terríveis de um simples tendão.
E com aquele fusuê todo, o resto do corpo já não aguentava mais.
Foi então que uma pequena parte de um osso do apêndice superior entendeu tudo o que estava acontecendo. E explicou:
-Deixem-me falar! Eu tenho a solução. Sesa, será que esse não é o seu lugar? Como disso o nosso querido e ilustríssimo narrador, você é um osso que auxilia na função motora. O tendão também age na mesma função. Portanto, esse é o seu lugar. Você deve permanecer aí para sempre, assim como eu fico aqui e o Supra-'super' fica lá.
-Você só diz isso porque é amigo do tendão.
-Imagina, graças ao tendão eu não pude crescer como o resto do osso ao qual eu pertenço.
Isso fez com que o osso curto entendesse que ali era o seu lugar.
Com a fabulosa e magnífica explicação daquele afundado, todos compreenderam o que realmente se passava.
Já que todos tinham entendido tudo, já que tudo estava resolvido, o fusuê corporal acabou. E todos agradeciam gritando:
-E viva o Sulco do Tendão do Músculo Extensor Ulnar do Carpo!!!

domingo, 29 de novembro de 2009

Lullaby

E tudo que acontecia
era mais uma realização
do mesmo sonho.
Mais uma vez, menino.
Com todo amor e pureza
que se podia ter.
Menino que ama a D. Aranha,
que vigia o Dr. Peixe.
Cuida do Seu Lagarto
enquanto o Mestre Camaleão se esconde.
Num mundo onde a D. Aranha cura, dança e ri.
O Dr. Peixe não esquece aquela história.
O Seu Lagarto dorme no escuro.
E o Mestre Camaleão se esconde.
Esse menino, maluco de felicidade,
se sente livre por perceber que
já não se apaixonava mais pela D. Aranha.

Mas alguém deve ser agradecido por tudo.
Por isso, te agradeço, Ziraldo,
por desenhar aquele risco, naquele céu.
Fazendo o menino ficar louco.
E te peço por quem já experimentou meu abraço,
mas hoje pode nem se lembrar mais.

Tuntz-tuntz faz o coração,
ou era apenas a batida
do Seu Lagarto no colo do menino
que mascava seu chiclete.
Pã-( pausa )-pã fazem os olhos
ou a D. Aranha se defendendo do menino.

Ah, faz o menino
porque Ziraldo fez seu sonho
vir ao mundo real.

- Faz a estrela
que o menino olha,
que olha pro menino,
que o deixa maluquinho.

Tic-tic, faz a lágrima ao cair.
Maluquinho, não mais.
Sozinho.

Passou.
E a noite acabou feliz.
Embora ter tido que tirar sua panela...
Menino??
Continuava sendo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Recado.

Muitos perguntaram por João Neiva.
Ele está bem.
Mandou um abraço a todos
e disse quem ele é.
Ele é O CARA.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Você só sai daqui quando o dia nascer!

"God is the DJ. Life is a dance floor."
"Subo bem alto pra gritar que"
"Eu só saio daqui quando o DJ também sair."

Obs: Sendo assim, dançarei até a vida eterna.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Oh! Big River

Oh! Big River
Oh, don't you cry for me.
I come from Minas Gerais!
With my cheese on my knee! ♫

terça-feira, 30 de junho de 2009

O ovo da minha marmita

Se numa marmita falta um ovo,
assim também, em mim falta você.
Pois a farofa do ovo é como
o sangue que corre nas minhas veias.
As quais, pulsam azeitonas
no seu empadão.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Encruzilhada

Hoje é domingo, pé de cachimbo (...)
Se de carro vou,
num cruzamento estou.
Mas se vou de corpo,
me encontro na vida.
No fim, dá no mesmo.

No cruzamento, os carros param
cada um tem sua preferência.
Como estou na vida, me despedaço
em prantos que vem
de onde, água, já nem mais tem.

Sem água na encruzilhada,
quem vive?
Sem água, quem vive?
Quem vive?

Já perco água, me vem comida.
Sem água não vivo,
mas, quem sabe, comida me sacie.
Sofro mutação, já não quero mais água.

E ai de quem a querer!

Espero não perder-te, comida,
como a água já perdi.
Sem água, sem comida,
perder-me-ei na vida
com sofrimento de Punto.
Pois...
"O buraco é fundo. Acabou-se o mundo."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sobre um palco

Já deixei de comer,
por nervosismo de subir num palco.
Já cantei,
já dancei.
Já fiz gente me aplaudir de pé.
Já fiz gente chorar.
Já fiz gente rir.
Já fiz gente dançar.
Nunca fiz gente,
mas já fui gente.
De Jesus a batedor de carteira.
Já me converti.
Já apareci na suposta TV.
Já me filmaram.
De Hip Hop a forró.

E, em meio a tanta arte,
núcleos se desencadearam.
Isso mesmo,
minha vida virou uma novela.
Talvez, quem sabe,
um dia,
eu lance um filme!
Ou um livro, por ter mais detalhes!
Aguardem.