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sábado, 26 de outubro de 2024

Eu te amo-ei.

"Eu te amei" é a frase que todos os dias eu quero te dizer.
A diferença disso... dessa informação? Nula.
Mas todos os dias, na minha cabeça, eu crio coragem para te dizer "eu te amei".

Talvez a frase esteja no passado, porque acabo buscando alguma auto-preservação tosca e enganosa. Talvez porque sobre o passado eu tenha certeza. Enquanto que sobre o presente ou o futuro, eu desconheça sua completude e exatidão. 
É confuso.

"Eu te amei"... no passado da frase "eu te amo", que é o que eu gostaria de te dizer todos os dias, desde o dia que eu disse pela primeira vez. 
Porque ali, naquele momento, eu tinha certeza que eu te amava. Eu tinha a certeza que eu me perderia pra sempre no seu olhar.

"Eu te amo" é o que eu queria te dizer, também nos dias que eu "não te amasse". 
Também nos dias que a gente discutisse, que a gente se chateasse. 
Mas que mutuamente nos lembrássemos que "eu te amo" e que aquilo passaria.

Na realidade, não passou. 
E (em alguns sentidos) eu não posso mais dizer que "eu te amo".

"Eu te amo"…
também é a frase que eu gostaria de ouvir de você,
todos os dias.

terça-feira, 26 de abril de 2022

Família

Onde se encontra um verdadeiro lar. É refúgio, carinho, atenção e puxão de orelha. 
É risada, é abraço, é colo, é choro.
Onde o amor brota. Onde aprendemos o que é o amor.
Onde estamos seguros, mesmo que com medo. E podemos ser exatamente quem e como somos. 
É aquilo que dói na distância. E não muda nada, não importando o tempo que passe. Família sempre será Família. 
Seu signnificado terá entradas intermináveis no dicionário. E seu sentido transcende a conexão sanguínea, mas cria pontes floridas, construídas sobre os pilares do amor.

domingo, 16 de agosto de 2020

Ainda

É que você não sabe, mas a gente ainda dorme junto. A gente ainda passeia pelas ruas da cidade. Você ainda ensaboa meu corpo, enquanto eu passo xampu na sua cabeça.

Talvez você não saiba, mas eu... Eu ainda sinto a sua falta.

Talvez eu não saiba, mas talvez eu ainda te ame.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Eu não vou lembrar seu nome.

Às vezes me pego pensando se deveria ter te deixado voar. Me parece que fiz tudo o que podia. Falei todas as coisas que eu precisava. Todas as que me engasgavam. Todas que me vieram à cabeça, por tanto tempo, e que eu remoí, dentro de mim. Como um gado ruminante, a ruminar todo esse sentimento que um dia eu chamei de amor. Que talvez ainda o chame, não sei bem. 

E de todas as coisas que vivemos, cada minuto de felicidade e de tristeza e de amor e de ódio, só uma me traz paz. O dia em que despejei sobre você todas as palavras que ruminei. E por isso, eu te prometo. Por mais difícil que seja, eu te prometo: Eu não vou lembrar seu nome.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Simplesmente, assim

Ouça, enquanto lê.

Querido diário,

Hoje, sonhei com ele.
Ah, como foi bom.
Eu me sentia bem inseguro ainda. Agia com dedo para não feri-lo, não machucá-lo. Não afastá-lo de mim.
Mas estava tão gostoso.
Eu não podia deixar de sorrir.
Com meus olhos, minha boca, meu corpo, eu sorria.
Sorria até com a alma.

Ele estava junto comigo.
Eu deitei sobre seu peito.
Em outro momento, deitamos de lado, abraçados.
Minha mão agarrando o peito dele.

Era tudo o que eu queria.

Mas, no fim, eu acordei.
Eu juro que rezei pra dormir de novo e voltar para o mesmo sonho.
Não deu.

De novo, eu me vejo sem ele.

E foi isso.
De maneira bem direta.
Um desabafo superficial, que carrega sentimentos bem profundos.
Sem meus devaneios, delirios.
Sem jogo de palavras.
Sem todas aquelas sentimentalidades ou ênfases poéticas que eu gosto de escrever.
Assim. Simplesmente, assim.

E é como diz a música:
"Te tenho em sonhos. E somente eu sei  o quanto eu esperei. Vem me tirar dessa prisão de somente te ter se eu sonhar outra vez."

terça-feira, 7 de maio de 2019

O vazio da lembrança

Ouça enquanto lê.

E meus olhos resistem. Não querem se fechar, não permitem que eu durma, enquanto não te tenho ao meu lado. Fico com meus pensamentos rondando por onde passamos e aonde chegamos. Revivendo memórias incríveis, momentos tão felizes, tão importantes, tão puros. Sinto meu corpo estremecer. Meu corpo sente a falta do seu. Meu ouvido busca a sua voz. E minha esperança te espera no portão, todos os dias. Meu sorriso se ensaia em frente ao espelho antes de sair de casa, para a hora que você chegar. Tento dizer a eles que não é hora ainda. Mas nem eu mesmo acredito nas minhas palavras. No fim, eu mesmo os encorajo a buscarem sua voz, te esperarem no portão ou se ensaiarem em frente ao espelho. Eu mesmo escolho a roupa que vestirão, os lembro de pôr um casaco e de pegar um guarda-chuva.

Mas me preparo em vão, todos os dias. E o que me agoniza e me conforta são mesmo os pensamentos e as memórias que me cercam. São eles que me fazem companhia (que meus travesseiros não me ouçam). Abraço-os – os pensamentos e os travesseiros – na esperança de te encontrar, procurando seu cheiro. Gosto de brincar que é nas suas pernas que estou dando nó. Ou que é no seu peito que estou deitando a minha cabeça. Chego até a acariciar um deles, pensando que poderia te fazer um cafuné.

Rezo todas as noites (ou a toda hora) por um momento melhor. Onde eu não seja velho, mas ainda seja jovem, com toda vontade de viver. E assim possa viver junto com você. Oro pela nossa felicidade. Que não sejamos cordeiros em época de caça. Mas que sejamos estrelas altas, lindas, brilhantes, que iluminam a escuridão. Que sejamos como as araras, a voar em pares. Que meus ouvidos encontrem a sua voz. Que seus olhos encontrem o meu sorriso. Que minha esperança te encontre no portão. E que meu corpo esbarre no seu.

Por fim, durante a minha oração, meus olhos que não aguentam mais, se desabam. Interrompem qualquer busca por você. Afastam todos os pensamentos e memórias lindas. E me deixam o vazio da lembrança, sem cheiro, sem cor, sem sorriso. Debulham-se. Minhas forças psíquicas, físicas e emocionais se esgotam. E antes mesmo que eu termine a minha oração e bem antes que eu te encontre, de tanto escorrerem, meus olhos, finalmente se fecham, e eu durmo.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Só um bolero

Cerro-me, os olhos
e transporto-me.
Danço um bolero
e me entrego.

Fixo em teus olhos
e encontro-me.
Danço um bolero
e me desintegro.

Enxergo-te, sem olhos
e despedaço-me.
Danço um bolero
e me reintero.

Despedaça-me, os olhos
e reintero-te.
Danço um bolero,
e te enxergo.

Fixa-me, nos olhos
e desintegro-te.
Danço um bolero
e te entrego.

Encontro-te em meus olhos
e transporto-te.
Danço um bolero
e cerro-te. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Nós dois em cinco capítulos

Ouça, enquanto lê...

Capítulo um

Eu bati a porta, você abriu.
Entrei.
Me sentei no sofá.
Conversamos.
Nos conhecemos.
Rimos bastante.
Quando vimos, já passava das quatro da manhã do dia seguinte.
Me ajeitei ali mesmo, até que clareou e fui embora.


Capítulo dois

Joguei pedrinhas contra a janela.
Você sorriu ao me ver e abriu a porta.
Entrei.
Sentamos na cadeira da cozinha.
Fiz um belo Tiramisu, só para nós dois.
Dançamos aquele bolero, enquanto bebemos algumas cervejas que trouxera.
Ficamos bêbados. Você adormeceu no tapete.
Arrumei toda a bagunça da cozinha e fui embora.


Capítulo três

Toquei a campainha. Você não abriu.
Pulei a janela que estava aberta.
Arrumei a casa inteira.
Separei suas roupas de frio e de calor; as de festa e as casuais.
Desfiz as malas de sua última viagem.
Me encostei no sofá e te esperei chegar.
Você chegou, disse "oi". E foi se deitar em sua cama.
Eu sussurrei, sozinho, "boa noite" e fui embora.


Capítulo quatro

Cheguei à porta, com horário marcado.
Você atendeu.
Entrei.
Você foi tomar banho.
Comi umas bolachas que estavam pelo balcão.
Seu táxi chegou, você partiu.
Eu engoli as bolachas e fui embora.


Capítulo cinco

Eu fui até sua casa e fui embora.


*Baseado em Autobiography in five chapters, de Portia Nelson.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quem pode dizer?

Ouça enquanto lê.

Eu só queria dizer que amei.
Mas que amor foi esse que se começou e se acabou em meio as palavras?
Como aconteceu  de a preocupação se tornar um desejo incessante, uma carência tamanha que necessite dessa atenção toda que só você acredita?
Queria mesmo a sua atenção, de forma mais especial, mais espontânea. Da forma como costumava ser. Não pedi nada além do que já existia em você, em nós.
Mas quando o amor vira monólogo, de uma via só, em sentido único e passa por um mar de ilusões que o deturpam e chega ao fim da ponte como cão sem dono morto de fome, ele deixa de ser amor e vira Roma.
E na praça do centro dessa cidade vou, bêbado, tentar entender a lógica dessa história que começou com gosto de canela se preparou pra ser melancia e no fim amargou "qui nem jiló" (uma saudade que quase dói).
Mas se da primeira vez era canela, fico em Roma até que a torne em amor de novo ou até que o amor mude seu significado e eu, enfim, ache um amor com gosto de melancia perdido em meio as palavras e possa finalmente dizer que amei.

domingo, 30 de novembro de 2014

Nós dois

Ouça enquanto lê

Eu nunca acreditei nessa coisa de super heroi,
nunca tive essa ilusão.
Sempre me foi ensinado a encontrar herois de verdade, no meio da sociedade.

Herois que lutam por suas famílias,
que suam o pão de cada dia,
que dão a César o que é de César.

E encontrei, como me ensinaram,
vários herois.
Mas o grande mágico de tudo é que, muito criança que sou, encontrei o meu heroi.

Demorou um pouco pra reconhecê-lo,
demorei até perceber quão poderoso era meu heroi.
E eu descobri que era mais que isso.
Ele era um super heroi.

Super sim,
com o poder do amor,
da sabedoria,
do ensinamento...

Super em todos os sentidos da palavra.

E eu não sei o que acontece,
não sei bem dizer por que.
Mas cortaram a capa do meu super heroi.

Hoje ele tem medo.
De amar, tem medo.
A verdade é que meu heroi tem medo.

Eu não sei vestir um escudo e enfrentar essa escuridão.
Eu não sei lutar por mim, quanto menos por nós.

Posso te custurar outra capa?
Te fazer asas?

E se eu te disser que eu também tenho medo?
Que eu morro de medo de pensar em não ter meu heroi?
Que eu morro de medo que alguém me veja chorando porque meu heroi não voa?
Que eu me desfaleço de saudade?

Eu me meleco de medo do que pode acontecer no ano que vem...
Me tremo todo, da cabeça aos pés, em pensar se eu estou no lugar certo.
Porque sempre andou por nós dois...
Eu não sei andar sozinho, nem sei te carregar.

Eu não sei nem mais o que dizer.
Eu não sei pra quem gritar.
Eu não sei em qual ombro chorar.
Eu só sei ter medo junto.

Porque se meu heroi tem medo,
eu também tenho.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A história da pobre velha


Como a rosa que brota da terra e se abre ao sol, à chuva.
Brota do ventre, a pianista e encanta os pássaros e os grilos.
Usando suas mãos de uma maneira que ninguém precisou ensinar.
E foi conquistando seu espaço e mostrando seu amor.

O amor que vem de dentro, passa pelos braços, e se reflete a cada vez que seu dedo bate a tecla do piano, seu grande amor.
Sempre o acompanhando, desde o dia que se encontraram.
Nos momentos mais difíceis, nos mais tristes, nos mais felizes.
Nos momentos que não eram momentos, que eram ordinários.

Quando as lágrimas rolavam, por paixões sofridas,
por sorrisos falsos de malfeitores,
por conquistas limpas. 
Sempre juntos.

Decidida, declarou seu amor, a pianista, ao seu companheiro, o piano.
E dele, pra sempre foi, como pra sempre fora. 
Era ele que ouvia sobre seu dia, mesmo.
Era ele que conhecia o que havia dentro dela, de qualquer forma.

Por que não?

Por vários anos, a pianista se escondeu atrás de seu amante.
Uma vez que a liberdade lhe havia sido tirada, 
por aqueles que se julgam melhores e governam o país,
e querem governar o mundo.

Após a guerra, 
estavam juntos de novo, 
e se amavam, como nunca antes.
Venceram essa batalha.

Mais tarde, alguns anos depois,
enfrentou um tumor cerebral.
E durante todo seu tratamento, 
internada num hospital anti-musical.

Dizia todos os dias pra si,
"estou indo, meu amor".
E de lá saiu, ao encontro daquele que sempre a preencheu.
E foi ele, quem ela viu primeiro, depois de tanto tempo.

E viu por algum tempo,
até que sua visão ficasse comprometida.
A pianista não podia desistir agora.
E pensou:

"Eu preciso, apenas das mãos
e do coração.
Enquanto eu tiver, mãos e coração,
o meu amor, eu não deixo."

E aprendeu a não precisar ver seu amor pra saber onde eles estava.
E ela descobriu que ele ainda era capaz de entendê-la
e percebê-la
e decifrá-la.

E prometeu a seu marido,
"mesmo na escuridão,
eu te encontrarei."
Bom, não foi permanente, e eles se viram novamente.

Vencedora de uma guerra, 
vencedora de uma doença,
lanterna na escuridão,
vendedora de sonhos.

Fez de tudo pra estar sempre com seu amor.
Até que...
... coitada, idosa.
Há quantos anos vive mesmo?

Acredito que nem ela saiba...
porque a cabeça já não funciona.
Já não sabe muitas coisas mais,
mas conhece, ainda seu amor.

Infelizmente, as mãos começaram a não obedecer,
doíam quando paradas,
doíam quando mexiam.
"Reumatismo", disse o doutor.

Insistiu a pobre velha.
Mas não dava mais.

Deixou uma rosa vermelha 
sobre o cadáver quente de seu amor.
Alisou-o,
chorando as patacovas que já não tinha mais.

Entendeu que era seu fim,
e que nada mais podia fazer pra tê-lo de volta.
Era sua hora.
Assim...

Naquele dia, choveu.
Se vestiu de preto.
Tocou sua última canção,
e se despediu.

E junto à rosa vermelha,
deixou a carta que alguém datilografara.
Dizia:
"Muito obrigada, meu grande, primeiro e verdadeiro amor."

Fechou o caixão
e o enterrou.
O piano, nunca mais tocou.
Ficou só, a pianista.

E no seu epitáfio, escrito:
"Se partires amanhã, me ama hoje.
Se partes hoje, obrigada pelo ontem.
Se partiste..."

E ficou só, a pianista.
E o piano... nunca mais tocou.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mais que difícil


Tanto quis dizer que não falei.
Clichê, eu sei. Mas diz o suficiente, por mim.

Existem algumas palavras que ficaram impressas aqui dentro de mim e outras que se explicitaram.
Mesmo vomitando tudo aquilo que eu precisava, ainda não vale a pena vomitar tudo. Não vale a pena vomitar todas as palavras.
Elas sairiam de minha boca; se distorceriam no ar, pelo caminho e; cairiam como pedra em seu estômago frágil. E aí, então, eu te teria longe de mim, de novo.
Longe...
Bem longe...
E o quê poderia, eu, fazer pra que você voltasse? De joelhos, sem roupas, aos prantos, aos sorrisos, com as mais lindas roupas, apenas me pedindo pra que possa ficar.
É claro que pode. É claro que essa é minha resposta. Não consigo te ter longe por vontade própria. Não consigo te olhar nos olhos e dizer "se afaste". Às vezes digo que quero isso, pra mim mesmo. Que seria melhor, mas não. Eu não quero. Não há como enganar. Não há a quem enganar.

E nem mesmo importa quanto tempo passe. Eu estou sempre olhando no meu celular em sua procura. Seu número. Sua foto. Sempre olhando. Sempre "só checando". Sempre. Porque pode ser que um dia a saudade bata aí. E, não, nunca vai ser tarde demais. Você vai tocar a campainha, eu vou atender com um sorriso, perguntar onde esteve e dizer que sumiu.
Me dói. Me corrói. Me consome. Me faz pensar. Me leva pra uma outra dimensão que ninguém me encontra e, então, as pessoas tem sempre que ficar me chamando de volta à Terra, "Ei... Estou falando com você".

Eu queria mentir e dizer que nada disso é pra você. Mas isso é mais que difícil. Pois se algum dia você me ler, vai entender que é pra você! Mas, diante disso tudo, vai se calar. E esse silêncio... Ah... É uma morte lenta e dolorosa a cada dia, é um martírio, que passa...

E isso só me faz te observar de longe. Também quieto. Querer saber de seus passos, se eram acompanhados por outrem ou não. Se eram descalços. Se eram por mim, o que nunca seriam, mas quem sabe? Quem sabe também o que está escrito? Talvez isso morra aqui. Talvez seja pra sempre assim. Mais que díficil, mas assim.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Apenas cultivado

Sempre tentei encontrar um significado para essa música. Mas contentei-me quando me disseram que é só imaginação. E, mais ainda, quando pensei que talvez ela não tenha sido feita para fazer sentido.

Essa música me lembra algumas pessoas, pelas quais eu tenho o maior amor do mundo. E enquanto pensava nessa música, lembrando daqueles que já citei, me toquei sobre o que ela quer dizer.

Ela é simplesmente sem sentido, como meu amor por aquelas pessoas. Não há razão. Amo porque amo. Sem pedir, sem implorar. Sem lógica ou razão. É o simples amor que vem de dentro, que vem do berço. Que não foi construído, apenas cultivado!

Sem sentido, sem razão, sem porquê, sem lógica, pra vocês:


O dedo do tempo no barro da vida (clique)

O dedo invisível do tempo
modelando o nosso destino
no barro da vida é um velho
girando, virando menino.
Sonhando sons
criando asas
e as asas pisando o céu
entrando e saindo das casas
brincando qual pipa de papel.
Driblando dragões e cometas
e contando histórias pra lua.
Brincando de roda com os planetas
bem ali, na porta da rua.
E a tarde fugindo sem pressa
na velha cidade da luz
presente no sol que atravessa
futura na estrela que conduz.

Vander Lee

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ele por ela

Ontem à noite, eu já estava deitada quando ele me ligou.
Meus olhos se arregalaram,
meu coração palpitou.
Eu não sabia se atendia ou se apenas deixava o telefone tocar.

Não resisti,
conversamos um pouco, a ligação tava ruim.
Tão ruim que caiu, sem volta.

Pelo menos eu ouvi a voz dele.
Aquela voz que me esfria a alma, dói a barriga
e me enche de alegria.
Soube como ele está e isso bastou.

Me senti mais calma,
mais segura,
mais feliz.

Pude dormir tranquila.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Só assim

Quando o dia se tornar escuro e a noite clara.
Quando os ventos deixarem meus cabelos no lugar,
as ondas do mar não fizerem barulho,
suas correntes não levarem nada a longe.

Quando as flores não tiverem mais cheiro,
cor, beleza...
Quando o beberrão deixar secar sua garrafa.
E as donzelas lutarem pra salvar os cavalos brancos,
deixando os príncipes morrerem no fogo dos dragões.

Quando meu sangue secar,
aí eu paro de pensar em você!!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Rose Dawson

Quando é pra acontecer, acontece.
E foi assim que se conheceram.
Ao embarcar em algo tão indestrutível.
Salvou sua vida, uma vez.
Afinal, estava cansada de tanta baboseira,
futilidade, submissão.

Mostrou-lhe a vida.
Mostrou-lhe o que é viver.
E, assim, salvou sua vida muitas outras vezes.

Fatalidades...
Acontecem.
Se salvaria,
mas foi em busca daquele que havia salvado sua vida.

Ora, pois o quê lhe custaria retribuir tal favor?
O quê lhe custaria salvar a vida do seu amor?

Pobre mulher,
eles conseguiram. Estavam vivos.
Mas e o resgate? Onde estava?

Havia mil e quinhentas pessoas,
no momento em que acontecera tal tragédia sob seus pés.
Havia vinte barcos ao redor.
Apenas um voltou.

Voltou por seis pessoas.
Dentre elas, apenas uma integrante do casal.

Sua promessa deveria ser cumprida.
Deveria se salvar.
Abandonou o corpo vazio que lhe fizera companhia,
que lhe tinha salvado de si mesma.
Agora, ele só existe em sua memória.
Agora, jazia no Atlântico.

Dê ao mar seu diamante,
pois não há ninguém melhor para recebê-lo.
Pois, se no mar o abandonou, Rose,
agora, o mar inteiro tornou-se o seu amado.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Mucama

"Mova-te, pois, Mucama.
Não escutas o que tua ama te diz?
O que fazes parada aqui?"

Saiu, a mucama, desolada.
Pois mandaram-na buscá-lo.
O filho de seu senhor,
aquele que criara o hábito de se apaixonar por uma negrinha.

Pensava e matutava,
a pobre Mucama.
Como poderia haver,
sobre a mesma terra que ela pisava,
tal homem, tão desumano?

O amor lhe tira os olhos.
O amor lhe entrega ao fogo, às cegas.
O amor lhe faz proteger outrem,
arriscando a própria vida.

Descobrira, então, seu próximo passo.
Avisou o senhorzinho:
"Fuja fio, qui é pru sinhô, seu pai, num te matá!
Fuja, e leva tua formosura com vossemecê!"

Havia, portanto, coração mais nobre
dentro do senhorzinho que no senhor!
"Mas e tu, Mucama?
Como farás tu? quando ele souber.
Avisara-me, sem que me levasse a ele!"

"Sou véia, sei mi cuidá!
Vai, sinhozinho, antes que o capitão do mato o mate"
Saiu a galope, com sua formosura, o senhorzinho.

O senhor soube de tudo.
Seu filho já não existia,
pois outrora se apaixonara por uma negrinha.
E por ajudá-lo foi condenada, a Mucama.
Que protegeu o filho de sua ama.

Fizera o papel que a nobre mulher não teve coragem.
A Mucama, na simplicidade que tinha,
exercera, com coragem e bravura,
amor e compaixão,
o papel de mãe,
tornando-se assim, a verdadeira nobre mulher.
Mãe de um menino que ela vira nascer.

Por tal feito, foi condenada às chibatadas.
Soltava lágrimas pelo pelourinho,
sangrava pelo chão, onde fora parida.

E poderia haver até milhões.
Cansaria, o carrasco, mas não doeria na Mucama.
Pois tinha a certeza, havia feito a coisa certa.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quando lá fora chove...

Estávamos deitados.
Uma galera...
imensa...
Todos esticados em seus colchões, um do lado do outro.
Naquela sala...
imensa...
Amigos, namorados... todos lá.
Até os apaixonados que ainda não tinham firmado relacionamento.

Deitei-me de lado e ela de costas pra mim.
Seu colchão estava do lado do meu.
Ficava pensando em seu rosto, em chegar mais perto.
Perto suficiente para cheirar seu cabelo e sentir aquele cheiro delicioso de todas as manhãs.
E quando ela se virou, fui obrigado a fechar meus olhos e fingir que dormia.
Tal era minha insegurança...
imensa...
Passei um tempo de olhos fechados.
Até que resolvi abrir. Ela dormia.
Linda, bela, cheirosa.

Passava pela minha cabeça, esticar o meu braço,
e acariciá-la, o rosto. Ajeitar-lhe, o cabelo.
Beijar-lhe, a boca.
Mas a tensão era grande...
imensa...
E ela tossiu, disfarcei, "dormi".
E esperei mais um tempo de olhos fechados.
Abri um olho só.
Ela me olhava.
Abri o outro.
Meu coração ganhou nova frequência...
imensa...
Ela também esteve me vigiando.

Paro por aqui, imagine por ai.
Deixe-me lembrando da cena, pois pra mim é melhor que descrevê-la.
Deixe-me com minha lembrança...
imensa...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Permita-se!

E chegou o dia tão esperado. Fui visitá-lo em sua cidade.
A desculpa que dei aos meus pais é que estava a ponto de surtar. Precisava sair, conhecer um lugar novo. Que éramos só amigos.
Ele havia feito o convite, para eu visitá-lo. E, por ventura, seus pais haviam viajado!

O dia chegou. Eu estava lá. Nos divertimos durante o dia. Eu o olhava de uma forma diferente daquela que costumava olhar... E tinha quase certeza, que seu olhar era recíproco.

Passamos o dia inteiro com os amigos dele, nos divertindo, brincando, sendo felizes. E, ao fim do dia, fomos para sua casa para podermos continuar a felicidade que fora o dia. Fizemos aquele jantar especial, bebemos aquelas bebidas especias e trocamos as famosas indiretas especiais.

Até que todo mundo foi embora. E ficamos só eu e ele.
Fiquei sentado no sofá, enquanto ele despedia do povo que estava à porta. Após ter terminado de se despedir, sentou-se ao meu lado. Meu coração pulava e eu quase conseguia ouvir o seu também. Se eu poderia ouvi-lo, poderia, ele, ouvir o meu?
Então ele se aproximou. Beijou a trave. Fechei os olhos. "Por favor, um pico de sensatez. Por favor, um pico de sensatez." Não sei ao certo quanto tempo durou, mas foi longo, muito longo. Tão longo quanto o último minuto de uma aula.
Coloquei minha mão em sua face, como quando se segura o rosto de alguém para acertar-lhe um beijo. Olhei em seus olhos. Torci minha boca em tristeza. Fechei meus dedos em sua barba e afastei seu rosto do meu. Não consegui dizer uma palavra. Apenas olhava e reprovava. E ele tentava entender.

Saí do sofá, nos arrumamos para dormir. Muito gentil que era, preparou pra mim sua cama e deitou-se em um colchão no mesmo quarto. Terminei de me arrumar e entrei no quarto. E lá estava ele, deitado de barriga pra cima, um pouco inclinado, olhos semi-cerrados e seu braço direito por trás da cabeça. Ali deitei. Em seu peito descoberto. Afinal, só seus pedaços mais íntimos não estavam descobertos.

Se antes eu ouvia seu coração, agora podia senti-lo. "Ai, meu Deus. O que estou fazendo aqui?", pensava.
Até que o silêncio foi quebrado, por uma voz que não queria sair e que não era a minha.

"Eu pensei que você quisesse. Que estivesse afim."
"Um dia eu estive, e tive que confirmar que eu seria mais forte!"

Seu peito estava molhado. Mas ele não suava.

"Você não tá querendo ser mais forte. Você está sendo covarde! Vai conseguir passar os dias pensando no gosto do meu beijo?"

Fui obrigado a levantar. Já senti tudo que queria ali. Era hora de dormir.

"Aposto que tem gosto de baba. Eu arranjo outros. Alias, prefiro a dor da saudade do que a da desilusão."
"Permita-se!"
"Eu jamais me permitirei sofrer!"

Levantei e fui pra cama! Afinal, já passava da hora de dormir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Teddy bear




Well, I'm here.
Just on my bed.
Looking to the window.
At nothing.

I'm here.
Waiting for you.
For the moment that you're gonna enter the room and make me happy.

Like a teddy bear,
I'm just here. With the same face I use every single day.
Wondering, if I'm the first or the last in your friends list.
Or even if I'm at it!
And I stay here.
I spend my day doing nothing!
With the pleasure of waiting.

I'm here.
I already know it.
But I don't think you do.

How can I stand it?
I don't know.
Maybe hope is the answer!

I'd like to know
what would happen
if it becomes hopeless.

But while the hope still survives
I still get hurt.
Me, your teddy bear.
Who you were supposed to care!

You can say I forgot that teddy bear is not real.
But you forgot that I am.
And you couldn't do it.
Never!

Maybe, I'm wrong.
Because, above all, I prefer being your teddy bear.
Wait for you at night.
Look to the window. At nothing.
Spend days doing nothing.
And use the same face every day!

But I implore,
like your teddy bear
give me a hug.
It's everything I need!