Ouça enquanto lê...
E de noite, antes de dormir
rezava, eu, pra que viesse.
Pedia fervorosamente
que te tivesse em meus sonhos.
Se não fosse atendido,
não havia mal.
Seria apenas mais uma noite desperdiçada,
uma noite em vão.
Mas se fosse,
ah, se fosse...
era como colocar os pés na nuvem
e ser levado pro alto.
Era como sentir o mundo em minhas mãos.
Como se eu pudesse sentar sobre ele
e rodar pela via-láctea
até ficar tonto e cair de volta em minha cama.
Subia num dragão,
voava até as estrelas,
e vinha descendo planando,
sentindo a brisa do mar que bate na minha janela.
A sua visita,
ainda que causada por mim,
era como aquele beijo gelado
numa chuva fria de um verão quente.
Era como se eu soubesse que estava vivo.
Como se pudesse viver aquilo todos os dias.
Como se no dia seguinte eu pudesse te ligar e te contar
e te contar.
Há muito você não me visitava.
Há muito eu vivi por mim mesmo.
Sem subir em nuvens, dragões,
alcançar estrelas, sem mesmo a brisa na janela.
Nem mesmo um beijo gelado,
nem chuva fria,
até o meu verão...
até o meu verão...
Então você surgiu.
E a nuvem choveu, o dragão me cuspiu fogo,
as estrelas se apagaram,
e eu chorei sobre o leite derramado.
A chuva que caía daquela nuvem...
ácida.
A brisa que batia na janela...
vendaval.
Minha cama...
em brasas.
E meu verão...
que verão?
Me fez lobo solitário,
a uivar de raiva quando acordei.
A morder minha pata
pra fugir das armadilhas.
Asco, Miséria.
Ódio, Rancor.
Meu acróstico imperfeito
pra quem acabou com meu verão.
Pra quem fez de mim, lobo
e matou meu dragão.
Pra quem inundou a cidade
e me deixa tonto.
Me fez tonto.
Me fez bobo.
Me fez amar.
Me fez lobo.
E de noite, antes de dormir,
rezava, eu, pra que não viesse.
Mas que por favor, ouvisse,
por favor, me ouvisse.
Ouvisse o meu uivar de lobo solitário
pr'aquela lua que ainda me resta.
E se não ouvisse...
seria só mais uma noite em vão.
sexta-feira, 14 de março de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Coisas de fisioterapeuta
O garçom pergunta ao cliente:
-Gelo, senhor?
E ele responde:
-Obrigado. Já não dói mais.
-Gelo, senhor?
E ele responde:
-Obrigado. Já não dói mais.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Linger on
Ouça enquanto lê...
Como se tivesse existido algo,
De novo a sós comigo mesmo
pensando no pretérito
imaginando o futuro do pretérito
vivendo sozinho meu presente.
Como companhia, a minha bebida,
a minha música.
O meu ser
e eu mesmo,
me bastando.
Você resolveu sair,
e eu nem entendi bem por quê.
Eu sei que me deixou sozinho
à deriva das coisas que me disse
ou das que esqueceu de me dizer.
Se te basta virar as costas,
vire-as pois.
Respirarei novamente,
sentirei novamente.
Me bastarei.
"Saúde" ao alto.
Chocolate e menta,
meu preferido.
Pode partir
que eu deixo.
Está livre,
vá.
Mas só te peço
que não me tire minha bebida
nem minha música.
Que o mundo acabe,
que ele se exploda
que você o exploda
ou se exploda nele.
Que seja.
Mas tudo que tenho agora,
não me tire.
Já me basta brindar sozinho,
deleitar-me sozinho.
Sonhar sozinho.
Já não há mais o que me roubar
se já foi felicidade
se já foi paixão
se já foi sonho
se já foi embora.
Mas, mais uma vez te peço
que o mundo acabe
mas que ainda tenha
minha bebida
e minha canção.
Como se tivesse existido algo,
De novo a sós comigo mesmo
pensando no pretérito
imaginando o futuro do pretérito
vivendo sozinho meu presente.
Como companhia, a minha bebida,
a minha música.
O meu ser
e eu mesmo,
me bastando.
Você resolveu sair,
e eu nem entendi bem por quê.
Eu sei que me deixou sozinho
à deriva das coisas que me disse
ou das que esqueceu de me dizer.
Se te basta virar as costas,
vire-as pois.
Respirarei novamente,
sentirei novamente.
Me bastarei.
"Saúde" ao alto.
Chocolate e menta,
meu preferido.
Pode partir
que eu deixo.
Está livre,
vá.
Mas só te peço
que não me tire minha bebida
nem minha música.
Que o mundo acabe,
que ele se exploda
que você o exploda
ou se exploda nele.
Que seja.
Mas tudo que tenho agora,
não me tire.
Já me basta brindar sozinho,
deleitar-me sozinho.
Sonhar sozinho.
Já não há mais o que me roubar
se já foi felicidade
se já foi paixão
se já foi sonho
se já foi embora.
Mas, mais uma vez te peço
que o mundo acabe
mas que ainda tenha
minha bebida
e minha canção.
Voce pode encontrar em:
Realidade,
Sentimentos,
Solidão
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
1 minuto e 26
Ouça enquanto lê.
Já não sei mais escrever do jeito que queria, como costumava. Queria ter escrito em versos curtos e em rimas, que procurava por essa música. Escrever que ela dizia o que queria te dizer: que eu sinto sua falta; que eu sorrio quando lembro daquela noite em que estivemos juntos e de todas as vezes que você me amou e eu te amei. Mas a música tinha que ser lenta, pra combinar com o sentimento que expresso aqui em meio a tantas palavras. Infelizmente, a que eu achei não era lenta por inteiro. Era lenta só até 1 minuto e 26. A escolhi da mesma forma, afinal foi a única que encontrei e ela diz exatamente o que desejo dizer nesses três parágrafos.
Sendo assim, por favor, peço que leia no tempo certo. No tempo em que eu calculei. Do jeito que eu planejei. Leia enquanto ouça, antes que o ritmo se mude e mude toda a entonação da sua leitura que eu preparei com tanto carinho, com tanto amor e tanta saudade. Sinta o que eu quero dizer durante esse 1 minuto e 26. Porque mesmo que tenha usado essa música curta e tenha escrito em prosa, sem pausas e sem rimas, eu vim te dizer que sinto sua falta, que penso em você e penso sorrindo. E que escrevi isso tudo pra você. Escrevi pra você lembrar de mim e sorrir.
Mas pra valer tem que ler em 1 minuto e 26.
Já não sei mais escrever do jeito que queria, como costumava. Queria ter escrito em versos curtos e em rimas, que procurava por essa música. Escrever que ela dizia o que queria te dizer: que eu sinto sua falta; que eu sorrio quando lembro daquela noite em que estivemos juntos e de todas as vezes que você me amou e eu te amei. Mas a música tinha que ser lenta, pra combinar com o sentimento que expresso aqui em meio a tantas palavras. Infelizmente, a que eu achei não era lenta por inteiro. Era lenta só até 1 minuto e 26. A escolhi da mesma forma, afinal foi a única que encontrei e ela diz exatamente o que desejo dizer nesses três parágrafos.
Sendo assim, por favor, peço que leia no tempo certo. No tempo em que eu calculei. Do jeito que eu planejei. Leia enquanto ouça, antes que o ritmo se mude e mude toda a entonação da sua leitura que eu preparei com tanto carinho, com tanto amor e tanta saudade. Sinta o que eu quero dizer durante esse 1 minuto e 26. Porque mesmo que tenha usado essa música curta e tenha escrito em prosa, sem pausas e sem rimas, eu vim te dizer que sinto sua falta, que penso em você e penso sorrindo. E que escrevi isso tudo pra você. Escrevi pra você lembrar de mim e sorrir.
Mas pra valer tem que ler em 1 minuto e 26.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Pelas árvores
Ouça enquanto lê
É que tocava uma valsa ao fundo.
De repente olhou pro céu e viu todas as estrelas dançando. E resolveu dançar junto com elas.
Sorria como se fosse o ápice de sua vida.
As estrelas passando lentamente de um lado para o outro, como se sorrissem de volta, enquanto ele cantava a canção que ouvia.
Daí então, o chão resolveu ajudar e se tornou escorregadio.
Era liso, feito gelo.
E, sem patins, patinava a valsa interminável.
Ela chegou, como se viesse do além.
Os dois deram as mãos e foram se balançando de um lado para o outro, repetindo a canção que dizia:
"And the lights are low."
Quando a letra se findava, se jogaram ao chão de neve.
Fizeram daqueles anjos.
Deitados, ainda, ela pegou um pouquinho de neve e jogou na cara dele.
Os dois riram muito.
E, como se possível, olharam os flocos de neve caindo, enquanto viam as estrelas tomarem suas posições de origem, ainda sorrindo.
Ele olhou pro lado e só pode ver a sombra dela passando pelas árvores.
Ela já havia voltado sabe-se lá pra onde.
Quando percebeu, havia chegado em casa. Abriu o portão. Tirou seus fones. E entrou.
Sabia que nada era real. Mas a imaginação bastava. A sensação de valsar junto com as estrelas bastava.
A neve que encontrou em seus sapatos quando entrou bastava.
É que tocava uma valsa ao fundo.
De repente olhou pro céu e viu todas as estrelas dançando. E resolveu dançar junto com elas.
Sorria como se fosse o ápice de sua vida.
As estrelas passando lentamente de um lado para o outro, como se sorrissem de volta, enquanto ele cantava a canção que ouvia.
Daí então, o chão resolveu ajudar e se tornou escorregadio.
Era liso, feito gelo.
E, sem patins, patinava a valsa interminável.
Ela chegou, como se viesse do além.
Os dois deram as mãos e foram se balançando de um lado para o outro, repetindo a canção que dizia:
"And the lights are low."
Quando a letra se findava, se jogaram ao chão de neve.
Fizeram daqueles anjos.
Deitados, ainda, ela pegou um pouquinho de neve e jogou na cara dele.
Os dois riram muito.
E, como se possível, olharam os flocos de neve caindo, enquanto viam as estrelas tomarem suas posições de origem, ainda sorrindo.
Ele olhou pro lado e só pode ver a sombra dela passando pelas árvores.
Ela já havia voltado sabe-se lá pra onde.
Quando percebeu, havia chegado em casa. Abriu o portão. Tirou seus fones. E entrou.
Sabia que nada era real. Mas a imaginação bastava. A sensação de valsar junto com as estrelas bastava.
A neve que encontrou em seus sapatos quando entrou bastava.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A meu modo
Tem certas vezes na vida que a gente para pra pensar em nós mesmos.
Algumas pessoas até que fazem isso o tempo inteiro. Mas eu não costumo pensar no meu modo de agir, de pensar. Apenas ajo, apenas penso. E quando dá na telha eu reflito sobre a forma que agi e pensei sobre as coisas.
O que acontece é que eu tenho um jeito peculiar de gostar das pessoas e de me irritar com elas, às vezes até mais do que deveria. É peculiar, e egoísta eu diria, a forma como eu exijo das pessoas que elas sejam outras pessoas. Eu implanto nelas características que nunca foram delas. Recolho o que faz parte de suas essências. Ou pelo menos, desejo isso profundamente. Penso e peço incessantemente que elas se mudem. Que elas continuem. Manipulo, manipulo mesmo, manipulo com força. Ou pelo menos tento.
Nem sempre as pessoas querem conversar, nem sempre estão bem. Nem sempre elas gostam de você como você dela. Mas eu exijo sempre que sejam iguais a mim, que se importem com as mesmas coisas. Que busquem as mesmas coisas. Que tenham os mesmos gostos. Que gostem de mim. Eu exijo isso.
Quão doentio é, por exemplo, ficar bravo porque não veio falar comigo durante a tarde? Quão doentio é, meus caros, pedir a toda hora que atenda o seu clamor? Quão doentio é pedir que sejam todos assim, a meu modo?
Eu só espero que eu entenda que cada um é de um jeito. Espero me desligar dessas coisas. Espero que cortem isso de mim. Espero que corte, eu mesmo, isso de mim.
Espero por você, numa tarde qualquer, pra uma papo e um café.
Mas cuidado, esperar cansa.
Algumas pessoas até que fazem isso o tempo inteiro. Mas eu não costumo pensar no meu modo de agir, de pensar. Apenas ajo, apenas penso. E quando dá na telha eu reflito sobre a forma que agi e pensei sobre as coisas.
O que acontece é que eu tenho um jeito peculiar de gostar das pessoas e de me irritar com elas, às vezes até mais do que deveria. É peculiar, e egoísta eu diria, a forma como eu exijo das pessoas que elas sejam outras pessoas. Eu implanto nelas características que nunca foram delas. Recolho o que faz parte de suas essências. Ou pelo menos, desejo isso profundamente. Penso e peço incessantemente que elas se mudem. Que elas continuem. Manipulo, manipulo mesmo, manipulo com força. Ou pelo menos tento.
Nem sempre as pessoas querem conversar, nem sempre estão bem. Nem sempre elas gostam de você como você dela. Mas eu exijo sempre que sejam iguais a mim, que se importem com as mesmas coisas. Que busquem as mesmas coisas. Que tenham os mesmos gostos. Que gostem de mim. Eu exijo isso.
Quão doentio é, por exemplo, ficar bravo porque não veio falar comigo durante a tarde? Quão doentio é, meus caros, pedir a toda hora que atenda o seu clamor? Quão doentio é pedir que sejam todos assim, a meu modo?
Eu só espero que eu entenda que cada um é de um jeito. Espero me desligar dessas coisas. Espero que cortem isso de mim. Espero que corte, eu mesmo, isso de mim.
Espero por você, numa tarde qualquer, pra uma papo e um café.
Mas cuidado, esperar cansa.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Tentando achar um equilíbrio
Eu já nem sei se te quero mais.
Eu já sofri muito.
Senti algo único.
Senti algo único.
Senti tua falta.
Senti tua saudade.
Senti tua presença.
Te tive sem te ter.
Na balança da vida, não sei se há contrapeso que a equilibre.
E eu já não sei se te quero mais.
Assinar:
Postagens (Atom)