Bem contada.
Bem falada.
Tida como linda história.
Mas nunca vista por outro lado.
Nunca contada antes,
com outras bocas.
Crianças pulam, gritam,
voam e a babá acha que estão dormindo.
Alguém atrás de uma fada
entra pela janela.
A anfitriã diz:
"Oi, quem é você?"
Trocam beijos e dedais
Vão embora: Alguém, anfitriã
e dois meninos que,
após toda a algazarra,
acordaram porque foram chamados.
Sim, foram embora,
sem pensar duas vezes,
porque poderiam voar e lutar.
Esqueceram que tinham mãe,
pai, uma casa, uma cadela.
Porque queriam nunca crescer.
Qual criança nunca quer crescer?
Deixaram sua mãe aflita,
na mesma janela em que partiram.
Deixaram seu pai aflito,
no primeiro andar da casa.
Por saberem voar,
acharam que seria divertido
sair voando pelo céu
para uma terra distante,
desconhecida.
Sonhadores, com pensamentos bons
pra poderem se manter no ar.
Viram piratas, índios,
foram capturados.
Aprenderam a lutar,
porque voar já sabiam.
Acharam que tinham vencido a guerra,
tentaram algo novo,
com sentimento.
Mas tudo que se precisa saber,
quando é criança,
é saber voar e lutar.
Amor, é novo.
Só fará sentido se crescer.
Mas briga porque quer amor,
e deixa o amor de sua mãe
numa janela.
Janela essa que deve sempre
ficar aberta, na espera
da volta de dois meninos
e uma Wendy.
Mas o egoísta alguém,
a tentava fechar, era capaz
de tentar impedir que três filhos
voltassem à sua mãe.
Volta que fora sonhada tantas vezes
por retinas fatigadas
que não perdem as esperanças.
Já sabiam voar e lutar.
Procurava amor,
trocou de lado,
porque sempre quis ter outro nome.
Lhe bastava saber contar histórias.
Fez uma visita ao seu antigo lado.
Anunciou o seu novo nome.
Ao sair, foi pega.
Sim, era uma cilada.
Fora pega.
Teria de andar na prancha.
O segredo foi descoberto,
seria sua derrota,
TIC-TAC, tá passando o tempo.
O menor primeiro.
Não, alguém chegou, os ajudará.
Vamos batalha, acabe logo.
Todos lembraram que estavam esquecendo de seus pais.
Graças à menina que voltou
a ter o seu nome,
aquele que sua mãe teria lhe dado.
O outro lado sabia lutar.
Agora sabe voar.
Sabe o segredo.
Pensamentos felizes,
estão sendo invertidos.
Agora, o pensamento é
simplesmente a volta,
e o fechamento da janela.
Alguém egoísta.
Esse é o final da história.
Os dois lados acabaram,
sozinhos, sem amor.
Espere, há uma despedida.
O dedal finalmente foi dado.
Não foi dessa vez.
Pelo outro lado ser velho,
sozinho e acabado,
o relógio conseguiu o que queria.
Acabou a guerra,
sabem o que significa.
Por tantas vezes ter sonhado
não pôde acreditar
que realmente tinham voltado.
Nem a cadela se animou,
por tê-los visto.
Saia da janela.
Suba para o segundo andar.
Voltaram.
Os meninos ganharam uma família.
Uma mãe ganhou um filho.
Um filho ganhou uma mãe.
Afaste-se da janela.
Viver, seria uma grande aventura.
Alguém lembrou de dar satisfações?
A história é contada
por uma criança que cresceu,
para uma criança que vai crescer.
E, assim, sucessivamente
Pois todas as crianças crescem,
menos uma.
domingo, 21 de dezembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Brincadeirinha.
22:22 - Será que é verdade? To pensando em você. Você tá pensando em mim?
23:23 - E aí? Acho que você olhou no relógio agora. Ou pelo menos deveria.
00:00 - Não te esqueço. Vou dormir, amanhã eu levanto cedo.
23:23 - E aí? Acho que você olhou no relógio agora. Ou pelo menos deveria.
00:00 - Não te esqueço. Vou dormir, amanhã eu levanto cedo.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Tempo x Unhas e fios
Quantas unhas você já roeu?
Quantos fios de cabelo já caíram?
Quantas perucas você faria com o cabelo que jogou fora?
Quantas unhas você guardou?
Coisas assim nos fogem a memória,
mas ficam guardadas no Tempo.
Porém, nem o Tempo consegue segurá-las totalmente.
As coisas não são perpetuamente duráveis.
O Tempo as deteriora.
Ao mesmo tempo em que o Tempo as guarda,
pois ninguém pode dizer que, naquele Tempo nada aconteceu,
se realmente já tiver acontecido.
A nossa memória apaga.
O Tempo apaga.
O Tempo conserva, de certa forma.
E a gente?
A gente? Vai continuar roendo unhas.
E continuar deixando o vento soprar cada fio de cabelo.
* tempo difere de Tempo.
Quantos fios de cabelo já caíram?
Quantas perucas você faria com o cabelo que jogou fora?
Quantas unhas você guardou?
Coisas assim nos fogem a memória,
mas ficam guardadas no Tempo.
Porém, nem o Tempo consegue segurá-las totalmente.
As coisas não são perpetuamente duráveis.
O Tempo as deteriora.
Ao mesmo tempo em que o Tempo as guarda,
pois ninguém pode dizer que, naquele Tempo nada aconteceu,
se realmente já tiver acontecido.
A nossa memória apaga.
O Tempo apaga.
O Tempo conserva, de certa forma.
E a gente?
A gente? Vai continuar roendo unhas.
E continuar deixando o vento soprar cada fio de cabelo.
* tempo difere de Tempo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Bom dia, dia!
Bom dia, Dia!
Como está lindo hoje.
Como ilumina bem
o correr daquele rio.
Não, Dia!
Deixe o sol sorrir.
Senão o rio transbordará.
E correrá, sem pernas, sem ar,
até o mar.
Poxa, Dia!
Dure mais.
Ao chegar a lua,
todos se recolhem.
Sabe Dia,
apesar de amar a lua,
não consigo deixar-te ir dormir, Dia,
sem fazer algo
para que o rio não se seque
toda noite.
Boa noite, Dia!
Venha amanhã.
Se tens que ir hoje, como o rio tem que secar.
Que amanhã o rio volte, como tu tens que acordar.
Como está lindo hoje.
Como ilumina bem
o correr daquele rio.
Não, Dia!
Deixe o sol sorrir.
Senão o rio transbordará.
E correrá, sem pernas, sem ar,
até o mar.
Poxa, Dia!
Dure mais.
Ao chegar a lua,
todos se recolhem.
Sabe Dia,
apesar de amar a lua,
não consigo deixar-te ir dormir, Dia,
sem fazer algo
para que o rio não se seque
toda noite.
Boa noite, Dia!
Venha amanhã.
Se tens que ir hoje, como o rio tem que secar.
Que amanhã o rio volte, como tu tens que acordar.
domingo, 16 de novembro de 2008
Ui.

Quero, com você
ver o sol nascer,
a noite surgir.
Da cama ver
você sorrir
ao se despir.
Juntinhos, à sós.
Os dois, em um.
Quero embaçar o vidro.
Como Rose & Jack.
Pra você:
um momento embaraçoso,
de desonra.
Pra mim:
um simples e desejado ato.
Mas não só um fato
sentido no tato.
Beijarei-te eternamente.
Por aí começarei:
um beijo.
Desce a boca.
Sobe a mão.
E outras coisas mais.
Se já subiu,
Curtiu.
Serviu?
Sentiu.
Um simples sonho,
misto com desejo.
Um grande momento,
eterno sentimento.
Sorria, foi lindo.
Perfeito.
Digo,
foi amor.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Boné
Boné rima com chulé.
Chulé na bolha do pé.
Pé-de-moleque, quem "qué"?
Eca. Chulé, bolha, pé.
Tudo pra falar boné.
Poderia ser uma palavra qualquer:
Cuca, Saci, Bernabé.
Na cabeça, boné.
No pé, chulé.
Boné vermelho no joelho.
Chulé cheiroso no pescoço.
Boné pra cobrir o cabelo.
Cheiroso cabelo louro.
Que tampa um cordão,
disfarça de ladrão.
Diz que dá no couro.
Couro pra boné.
Tire o boné.
Que avoe o seu cabelo
no meu rosto, em rodopio,
enquanto rio,
de satisfação ao sentir
que posso seguir.
Mas, na realidade,
tudo que posso segurar
é o boné
que cobre o chulé,
da bolha do seu pé.
Chulé na bolha do pé.
Pé-de-moleque, quem "qué"?
Eca. Chulé, bolha, pé.
Tudo pra falar boné.
Poderia ser uma palavra qualquer:
Cuca, Saci, Bernabé.
Na cabeça, boné.
No pé, chulé.
Boné vermelho no joelho.
Chulé cheiroso no pescoço.
Boné pra cobrir o cabelo.
Cheiroso cabelo louro.
Que tampa um cordão,
disfarça de ladrão.
Diz que dá no couro.
Couro pra boné.
Tire o boné.
Que avoe o seu cabelo
no meu rosto, em rodopio,
enquanto rio,
de satisfação ao sentir
que posso seguir.
Mas, na realidade,
tudo que posso segurar
é o boné
que cobre o chulé,
da bolha do seu pé.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Uma noite só. À sós.

Parado.
Sentindo sua falta.
Sentindo que só precisava de tê-la ali.
Mais nada, nem ninguém. Nem motivo.
Olhando pra cima, senti como se a lua tivesse me abandonado.
Coitada, sempre ao meu lado, sempre a me vigiar.
Fiquei triste com ela, por não estar lá.
Fiquei triste por procurar e não achar.
Tudo que eu precisava era dela lá.
Pra tocar a minha pele.
E banhar a noite, como fazemos em todas as noites sós.
Por incrível que pareça, ao me levantar, eu achei a lua.
Mas só ela.
Coitada, sempre ao meu lado, sempre a me vigiar.
E hoje não era diferente, não foi diferente.
O problema era eu.
Será que sempre é assim?
E eu triste com a lua achando que ela tinha me abandonado. Mas eram só nuvens que a tinham encoberto.
Enfim, com a lua eu fiz as pazes.
Mas só com a Lua.
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